Início do ano letivo… minha primeira aula… E agora?

Olá, colegas!

Pensando em como será o meu primeiro dia de mais um ano letivo e devido a muitos e-mails de professores aflitos porque irão encarar a sala de aula pela primeira vez, resolvi compartilhar umas ideias…

Geralmente, tenho 2 ou 3 períodos já na largada! Parece cansativo, mas no início a galera sempre está disposta, e se a aula for bem atrativa, passa voando! Dependendo da turma, a aula descrita poderá se estender por mais tempo.

Nada de redação sobre as férias, por gentileza!

Para começar, eu costumo fazer uma dinâmica, que não precisa ter relação direta com a matéria. É uma tática para “quebrar o gelo”. Gosto muito da que chamei de Corrente das Metas.

 

PARTE 1

APRESENTAÇÃO: DINÂMICA “CORRENTE DAS METAS”

O professor, depois de se apresentar, solicita aos alunos que se disponham com suas classes em círculo ou U, e distribui para cada um uma tira de papel, previamente recortada em papel cartão. Todos deverão pensar e anotar dois itens, um de cada lado, junto com seu nome:

1- O que eu espero em relação à vida pessoal em 2016;

2- O que eu espero em relação à escola e à turma.

Feito isso, inicia a apresentação das metas para 2016. Cada um levanta (iniciando pelo professor), fala seu nome, idade e lê o que escreveu. Em seguida, usando cola em bastão, tornará sua tira em forma de um elo, unindo-a à outra, formando uma corrente.

Por fim, a turma fica à vontade para expor reflexões, e o professor pode conduzir esse momento, perguntando:

– O que simboliza a corrente?

– Por que unir os elos?

– É fácil conseguir essas metas com a corrente arrebentada, com elos sozinhos?

Após, recolhe-se a corrente. Ela ficará guardada ou poderá ser exposta (caso haja um espaço adequado sem que a danifique), e ao final do ano letivo será relida, com o intuito de que a turma avalie se as metas foram ou não alcançadas.

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PARTE 2

PRODUÇÃO TEXTUAL: AUTOBIOGRAFIA

O próximo passo é solicitar aos alunos a redação de uma autobiografia, que inclua uma apresentação com características físicas e psicológicas, anseios e metas para este ano em relação à escola e à disciplina e, por fim, o que se espera em relação ao futuro. O resultado sempre é ótimo para ambas as partes, pois muitos realmente “abrem o coração”, desabafam, falam de problemas, de sonhos… e nós professores sentimos que ali se criou um laço de confiança. Podemos conhecer quem é aquele jovem com quem iremos conviver. Frise que esse trabalho será lido apenas pelo professor, assim todos se sentem mais livres para contar o que desejam.

A partir do texto, talvez já se ouçam falas do tipo: “Detesto escrever…”, “Não gosto de Português por isso…”. Aí é a hora de provar a importância da disciplina.

E, para complementar, pesquisando no amigo Google, encontrei no Espaço Docente Aprendiz, esse planejamento muito interessante, principalmente se a turma for um 9º ano, já que será o último do Ensino Fundamental e nesta etapa começam as preocupações com o mercado de trabalho.

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PARTE 3

APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Antes de dar início às dicas, gostaria que os professores lessem primeiramente esse texto introdutório:

Professor, quantas vezes seus ouvidos são bombardeados por essas frases abaixo?

– A aula de Português é chata!
Não consigo aprender português porque a gramática é muito complexa!
Os textos de interpretação são extensos e difíceis de interpretá-los!
Por que preciso aprender português?!

Manifestações como essas, citadas acima, saem constantemente de muitas vozes estudantis, espalhadas por quase todo território nacional, invadindo, sem parar, os ouvidos docentes.
Por que alguns têm repugnância pelo próprio idioma do seu país? Preguiça de ler seria o fator predominante? Na minha experiência de magistério, esse fator não é a resposta mais sensata para ser única apontada como causa.
Para saber as causas do desinteresse pela leitura, é preciso buscar respostas no próprio ambiente escolar e, principalmente, na esfera familiar. Ninguém nasce com predisposição genética que indique desgosto em aprender a usar melhor as palavras. Existem doenças neurológicas que já nascem com o indivíduo e prejudicam o processo de alfabetização.
Não resta menor dúvida que o desinteresse pelo estudo da Língua Portuguesa vem tanto da deficiência do ensino básico, em algumas escolas, quanto da falta de acompanhamento de alguns pais que, supostamente, não conseguem ver importância na educação escolar dos filhos.
É lamentável ouvir desculpas sem fundamento de alguns estudantes que ousam em dizer que não têm paciência para leitura. Pior ainda é quando um aluno julga desnecessário escrever corretamente para não ser tachado de “certinho”. Inaceitável pensar assim.
É puramente falta de interesse, de cultura geral e orientação familiar.
Antes da invasão da internet em milhares de lares de todo canto do país, erros de português, dos mais brandos aos mais absurdos, eram mais presenciados (e ainda são) em diversas placas de ruas, panfletos, jornais, livros e revistas, mas só conseguíamos, na época, ter conhecimento desses fatos na hora da passagem pelos locais que expõe as palavras mal escritas em placas comerciais, anúncios de grande porte colados em murais e panfletos de campanhas, por exemplo, inclusive até alguns livros escolares expõem erros ortográficos, embora seja de ocorrência rara devido aos cuidados dos autores na parte das edições.
A chegada da internet e a repercussão massiva dos meios de comunicação espalharam de uma só vez, os descuidos que muitos têm com o nosso idioma pátria tão presente em diversos concursos e também atuante na seleção de candidatos no mercado de trabalho.
Existe um enorme pensamento equivocado que se forma na mentalidade das pessoas, do ensino fundamental à fase universitária, que a Língua Portuguesa deve somente ser desenvolvida pela esfera docente. É só uma desculpa esfarrapada que os desinteressados e preguiçosos criam para ocultar o ponto fraco que julgam ter na cabeça em relação à disciplina.
Outra ideia inteiramente errônea é rotular o nosso idioma como objeto descartável: recebe mais atenção em épocas de concursos e quando o candidato alcança a pontuação necessária para ser admitido no cargo que escolheu, se orgulha depois ao dizer que esqueceu tudo que aprendeu de gramática e interpretação de texto que se dedicou incansavelmente em cursos preparatórios e no próprio lar.
Não é preciso pertencer à equipe de magistério para ser um bom leitor, ser fã da escrita correta e conhecedor de regras básicas de gramática.

Vamos então às dicas?

Para prender a atenção da turma, logo no primeiro dia de aula, escrevi esse texto como sugestão aos professores de Língua Portuguesa para ser usado como debate com os alunos:

A Língua Portuguesa é vista equivocadamente como uma disciplina muito complexa por haver tantos acentos, verbos, pontuações e regras gramaticais infinitas que dificultam o entendimento, e muitos estudantes se queixam por não ter aprendido, durante toda a vida escolar, a interpretar texto e assimilar as estruturas da norma culta da língua.

Para entender de vez o papel importantíssimo que a Língua Portuguesa representa, eis uma entrevista de emprego feita inusitadamente por uma dentista e direcionada a uma candidata à atendente, num consultório odontológico:

– Você tem experiência como atendente, secretária ou recepcionista?
– Sim, trabalhei como auxiliar de administração no escritório de contabilidade de um supermercado. Eu era encarregada de anotar todo o balanço no final de cada mês, anotava chegada de mercadorias e ficava responsável no recebimento de notas fiscais.

– E por que você saiu desse escritório?
– Remanejamento de funcionários e contenção de despesas.

– Sim, entendo. E por que veio se candidatar ao emprego de atendente?
– Eu estava lendo a seção de empregos num jornal e parei no anúncio referente a essa vaga de atendente que tem a ver com minha função.

– E por que você acha que irei aceitá-la trabalhar aqui em meu consultório?
– Por causa das minhas funções que eu desempenhava com responsabilidade, e pela facilidade de comunicação com o público tanto na forma de compromisso profissional quanto no tratamento afetivo.

– Correto. Você sabe mexer no computador?
– Sim, sei.

– Ligue-o pra mim, pode ser?
– Sim, claro.

[…]

– O que você sabe fazer nele?
– No meu outro emprego, as minhas funções eram executadas no Excell e no Microsoft Word.

– No Word, não é? Hummm… vejamos…Você pode abrir o Word?
– Sim, claro.

5 segundos depois, com o Word aberto, a dentista quis fechar a entrevista com a seguinte solicitação (quase uma exigência) à candidata:

– Agora, com o teclado a sua disposição, digite pra mim por que você quer esse emprego.

A candidata criou alguns cubinhos de gelo em quase todo o corpo. Apesar de algum nervosismo, atendeu a exigência da dentista, produzindo o texto:

“Li o anuncio num jornal na sessão de empregos q oferecia uma vaga de atendente de consultorio odontógico q tem haver c/ minhas abilidades.
Eu gostaria muito de ganhar o emprego pq naum quero ficar muito tempo longe do mercado de trabalho, tenho 2 filhos, sou separada, muitas contas p/ pagar, busco ser indepedente. O trabalho anterior me deu base p/ proseguir no ramo de adiministração.”

Analisando a situação:

A dentista foi criativa na forma de entrevistar a candidata. Nota-se que a aspirante à vaga de atendente respondeu objetivamente às perguntas da empregadora, dentro das suas possibilidades. Entretanto, o destaque maior encontra-se na fase final da entrevista: a candidata mostrar à profissional de odontologia que sabe utilizar as funções básicas do computador. Era somente esse o propósito? Ou a ortografia foi levada também em conta? A criatividade se traduziu exatamente na avaliação da Língua Portuguesa na parte ortográfica.

Será que a dentista foi muito radical na entrevista à candidata?

Até na candidatura à atendente, exige-se a escrita correta?

Com que finalidade a dentista usou a entrevista inusitada?

Respondendo às questões, o nível de radicalidade depende da visão de cada um. A postura da empregadora não pode ser considerada absurda, pois cada empresa, firma, consultório e até alguns estabelecimentos comerciais têm a sua maneira de selecionar candidatos a vagas numa determinada função.

Ela apenas adotou critérios de avaliação considerados peculiares, de acordo com o perfil, digamos, ideológico, característica dela própria. O recurso de usar como prova a ortografia é uma ideia excelente porque mostra que a dentista leva a sério o seu ambiente de trabalho.

Os próprios currículos, elaborados pelos candidatos, são analisados rigorosamente quanto aos erros de português, uma exigência batizada há muitos anos pela maioria dos organizadores na seleção de emprego.

Resultado: a candidata, provavelmente, não conseguiu o emprego desejado. Ela pode ter se saído bem na linguagem falada, mas na escrita…

Pela análise, ela cometeu erros imperdoáveis e inaceitáveis por concursos e empresas que trabalham seriamente na seleção de candidatos: usou o internetês em hora inapropriada para quem tinha grandes chances de ganhar a vaga; não acentuou algumas palavras; houve erros ortográficos; usou uma palavra, apesar de escrita corretamente, não adequada ao significado.

O professor pode usar esse grande exemplo para mostrar aos alunos a importância de aprender a falar e a escrever corretamente. Ele pode trabalhar com os alunos o texto feito pela candidata e pedir-lhes que corrijam os erros cometidos:

1) anuncio (faltou o acento agudo no U)

2) sessão (depende do contexto, pois existem ainda seção e cessão. No texto, o correto seria seção)

3) q (uso de abreviações encontradas em redes sociais, e-mails, mensagens instantâneas no MSN, por exemplo. O que custa escrever QUE?)

4) consultorio (onde está o acento agudo no O?)

5) odontógico (dois erros encontrados: uso incorreto do acento agudo no O e faltaram as letras L e O)

6) haver (o certo é a ver)

7) abilidades (faltou H no início)

8) c/ (só pode ser tolerado em trocas informais pela internet; o mesmo acontece com o q de QUE)

9) pq naum (o internetês jamais é permitido num documento formal, principalmente numa entrevista de emprego realizada por escrito ou em redações; portanto, escrever PORQUE NÃO é o mais sensato)

10) indepedente (independente, certo?)

11) proseguir (prosseguir)

12) adiministração (o D é mudo, sem o I; logo, administração)

Para finalizar, é extremamente fundamental deixar claro aos alunos que até um acadêmico de mais alto nível pode cometer alguns deslizes na escrita e na fala. É um ser humano também e, por isso, é natural que pode acontecer, tendo, porém, a atitude de reconhecer o erro e corrigi-lo de imediato.

Se um grupo de alunos insistir que não aprecia a Língua Portuguesa, é preciso dizê-los que o nosso idioma conta muitos pontos na hora de avaliar currículos, de conquistar vagas em diversos concursos públicos, inclusive em alguns vestibulares que adotam questões apenas discursivas, além de ensinar a redigir uma carta de apresentação como possível porta de entrada para um emprego de alto nível.

Todo mundo tem a falsa impressão de que conhece o Português muito bem e acaba deixando de lado. Isso é um erro. Por ter um peso muito grande, é ele que diferencia muitos candidatos.

Parte 3 disponível em: http://espadoca.blogspot.com.br/2011/04/como-introduzir-aula-de-lingua.html

Se depois de tudo isso, alguém não estiver convencido, mostre à turma esse vídeo, que é uma prova cabal da importância de estudar e compreender os aspectos estruturais da Língua, para não cair em situações embaraçosas como a que aconteceu com a mocinha aqui:

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