Manifesto contra o Aedes aegypti – 9º ano

Assim como a maioria das instituições educacionais, a escola onde trabalho também está desenvolvendo um projeto interdisciplinar visando combater o mosquito Aedes aegypti.

Tenho estudado com os alunos diversos textos, explorando a interpretação, a análise de elementos linguísticos e extralinguísticos.

Veja alguns textos aqui:

https://portuguesetri.wordpress.com/2016/02/16/modo-imperativo-no-texto-instrucional-8o-ano/

https://portuguesetri.wordpress.com/2016/02/17/pronuncia-e-etimologia-aedes-aegypti/

Para não tornar as aulas maçantes, já que as demais disciplinas estão envolvidas, procurei um desfecho em que os alunos realmente se sentissem protagonistas de uma ação concreta, sendo agentes de uma conscientização.

Assim, pensei em propor a criação de um manifesto, seguido de uma manifestação na comunidade.

O manifesto é um gênero textual que visa ao exercício da cidadania, já que expõe o pensamento de um determinado grupo, sempre a favor da coletividade. Por se apresentar de modo mais formal, denota a seriedade do assunto em questão.

A ideia de materializar o escrito em uma manifestação ajuda a reforçar ainda mais o espírito de engajamento para uma possível erradicação do mosquito e dos problemas de saúde causados por ele.

O primeiro passo foi permitir aos alunos que se familiarizassem com o gênero manifesto.

Clique aqui para DOWNLOAD (PowerPoint)

Depois, a turma foi dividida em 4 grupos. Cada grupo deveria apresentar um texto, baseado em pesquisas e nos estudos já feitos em aula.

Com os textos prontos, o professor pode optar por duas maneiras de selecionar aquele que será o manifesto oficial da turma:

– organizar uma comissão julgadora (supervisão escolar, diretora, professores de Língua Portuguesa, líderes de outras turmas…) para julgar os textos e escolher apenas um;

– pedir que cada grupo leia o seu, e a partir disso formar um texto só, coletando os elementos que se sobressaíram em cada um.

Uma vez escolhido o texto, os grupos voltam a se reunir, agora para planejar a manifestação: faixas, frases de ordem, folders, convites aos membros do bairro.

Por fim, cada grupo deverá nomear um orador, que ajudará na leitura do manifesto. Junto, a turma traçará o itinerário da caminhada, e o ponto culminante onde será lido o texto.

Nossa manifestação ocorrerá no dia 11 de março.

Se gostou da sugestão, compartilhe! E se quiser complementá-la, não deixe de expor suas ideias nos comentários.

AEDES2

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Narração – 9º ano

Um rico empresário recebeu o bilhete abaixo, após o sequestro de seu filho.
Escreva uma narrativa relatando esse sequestro e seu desfecho.

Narração104.jpg

Instruções gerais:

1- Os três personagens descritos a seguir devem fazer parte da história.
Dorisgleison Silva: ex-investigador de polícia, com um morto em seu passado e nenhuma perspectiva de futuro.
Fátima Zoraide: dona de banca de jornal, viciada em bombons e vidente nas horas vagas.
P.C. Júnior: menino prodígio que, aos 12 anos, vale cada centavo do meio milhão de dólares exigido como resgate.

2- Sua narrativa deverá ser em primeira pessoa. O narrador deverá ser um dos três personagens descritos.

3- Se necessário, crie outros personagens.

Narração

Professor: Visualizar algumas imagens com os alunos, analisando cada uma para que a turma vá descobrindo o tema da narrativa que será estudada. No fim da apresentação de slides, indagar: Qual é o tema que estas imagens nos sugerem?

Entregar as cópias da letra da canção Eduardo e Mônica, composta por Renato Russo, da Legião Urbana, e pedir aos alunos que façam a leitura silenciosa. 

 

Eduardo e Mônica

Letra: Renato Russo (Legião Urbana)/ Composta em 1986

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”

Festa estranha, com gente esquisita
“Eu não tô legal”, não aguento mais birita”
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar

E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
“É quase duas, eu vou me ferrar”

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de “camelo”
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Antes de ouvir a música, perguntar quem já conhecia a canção e a banda. Mostrar aos alunos, alguns dados biográficos de Renato Russo. 

Renato+Russo+R+enato

Após escutar a música, fazer, oralmente, uma breve interpretação. Em seguida, assistir a este vídeo e novamente retomar a exploração oral. Perguntar sobre as impressões dos alunos “antes” e “depois” do vídeo.

Agora, os alunos devem registrar o que foi estudado. Essa parte da aula pode ser feita em duplas.

 

ROTEIRO PARA ANÁLISE

Dados sumários sobre o texto:
Autor:
Título da obra:

Estrutura da narrativa
1) Personagens
Identifique os traços físicos e psicológicos dos principais personagens:
Eduardo:
Mônica:
A seguir, recorte de jornais ou revistas pessoas que representem os protagonistas.

2) Enredo
Faça um resumo da história (princípio – meio – fim).

3) Ambiente
Qual é o tipo de ambiente predominante: físico (a natureza, o campo, a cidade) ou social (algum agrupamento social específico, alguma parcela da comunidade, fábrica, colégio, clube, família)?

4) Tempo
Quanto tempo você acha que se passou desde que as personagens se conheceram até o final da história? Justifique seu raciocínio.

5) Foco narrativo
O narrador é narrador-personagem ou narrador-observador?

6) Público-alvo
A que leitor esse texto se destina?

Vocabulário
1) Pesquise sobre as seguintes personalidades mencionadas no texto:
Godard –
Bandeira –
Bauhaus –
Van Gogh –
Mutantes –
Caetano –
Rimbaud –

2) Há muitas expressões coloquiais (informais) no texto. Para que servem?

3) Dê o significado destas expressões:
a) “Eu não estou legal”.
b) “Não aguento mais birita”.
c) “Eu vou me ferrar”.
d) “O Eduardo de camelo”.
e) “Batalharam grana e seguraram legal”.
f) “A barra mais pesada que tiveram”.
g) “Que nem feijão com arroz”

4) Utilizando expressões próprias da linguagem dos personagens, o autor conta a história. Explique o significado dos trechos seguintes, como no modelo:

“… falava coisas sobre o Planalto Central” – Mônica explicava política para Eduardo.

a) “… ainda no esquema escola-cinema-clube-televisão” –
b) “… coisas sobre o céu, a terra, a água” –
c) “Ela era de Leão e ele tinha dezesseis” –

Interpretação
1. Por que num momento do texto é falado que o “filhinho” é do Eduardo e não do casal? Explique.
2. Que relação existe entre o narrador da história e o casal Eduardo e Mônica? Comprove com uma passagem do texto.
3. Qual o tema principal do texto?
4. Quem sofre mais transformações na história: Eduardo ou Mônica? Por quê?
5. Você acha que um ajudou o outro a se transformar ou foram mudanças naturais? Justifique sua resposta:
6. Essa letra de música possui elementos narrativos? Por quê?
7. Observe que o texto começa e termina com os mesmos versos. Que justificativa podemos apresentar para esta estrutura?
8. Para você, “existe razão nas coisas feitas pelo coração”? Justifique.
9. Faça um comentário sobre a história.

 

Produção textual

Após entender melhor sobre os aspectos da estrutura narrativa, reescreva a canção em forma de prosa narrativa.

 

Redação com mudança de foco narrativo

– Distribuir à turma o texto abaixo, pedindo que façam a leitura silenciosa:

Trapezista

Luis Fernando Verissimo

Querida, eu juro que não era eu. Que coisa ridícula! Se você estivesse aqui — Alô? Alô? — olha, se você estivesse aqui ia ver a minha cara, inocente como o Diabo. O quê? Mas como, ironia? “Como o Diabo” é força de expressão, que diabo. Você acha que eu ia brincar numa hora desta? Alô! Eu juro, pelo que há de mais sagrado, pelo túmulo de minha mãe, pela nossa conta no banco, pela cabeça dos nossos filhos que não era eu naquela foto de carnaval no Cascalho que saiu na Folha da Manhã. O quê? Alô! Alô! Como é que eu sei qual é a foto? Mas você não acaba de dizer… Ah, você não chegou a dizer… ah, você não chegou a dizer qual era o jornal. Bom, bem. Você não vai acreditar mas acontece que eu também vi a foto. Não desliga! Eu também vi a foto e tive a mesma reação. Que sujeito parecido comigo, pensei. Podia ser gêmeo. Agora, querida, nunca, em nenhum momento, está ouvindo? Em nenhum momento me passou pela cabeça a ideia de que você fosse pensar — querida, eu estou até começando a achar graça —, que você fosse pensar que aquele era eu. Por amor de Deus. Pra começo de conversa você pode me imaginar de pareô vermelho e colar havaiano, pulando no Cascalho com uma bandida em cada braço? Não, faça-me o favor. E a cara das bandidas! Francamente, já que você não confia na minha fidelidade, que confiasse no meu bom gosto, poxa! O quê? Querida, eu não disse “pareô vermelho”. Tenho a mais absoluta, a mais tranquila, a mais inabalável certeza que eu disse apenas “pareô”. Como é que eu podia saber que era vermelho se a fotografia não era em cores, certo? Alô? Alô? Não desliga! Não… Olha, se você desligar está tudo acabado. Tudo acabado. Você não precisa nem voltar da praia. Fica aí com as crianças e funda uma colônia de pescadores. Não, estou falando sério.

Perdi a paciência. Afinal, se você não confia em mim não adianta nada a gente continuar. Um casamento deve se… se… como é mesmo a palavra?… se alicerçar na confiança mútua. O casamento é como um número de trapézio, um precisa confiar no outro até de olhos fechados. É isso mesmo. E sabe de outra coisa? Eu não precisava ficar na cidade durante o carnaval. Foi tudo mentira. Eu não tinha trabalho acumulado no escritório coisíssima nenhuma. Eu fiquei sabe para quê? Para testar você. Ficar na cidade foi como dar um salto mortal, sem rede, só para saber se você me pegaria no ar. Um teste do nosso amor. E você falhou. Você me decepcionou. Não vou nem gritar por socorro. Não, não me interrompa.

Desculpas não adiantam mais. O próximo som que você ouvir será do meu corpo se estatelando, com o baque surdo da desilusão, no duro chão da realidade. Alô? Eu disse que o próximo som… que… O quê? Você não estava ouvindo nada? Qual foi a última coisa que você ouviu, coração?

Pois sim, eu não falei — tenho certeza absoluta que não falei — em “pareô vermelho”. Sei lá que cor era o pareô daquele cretino na foto. Você precisa acreditar em mim, querida. O casamento é como um número de…

Sim. Não. Claro. Como? Não. Certo. Quando você voltar pode perguntar para o… Você quer que eu jure? De novo? Pois eu juro. Passei sábado, domingo, segunda e terça no escritório. Não vi carnaval nem pela janela. Só vim em casa tomar um banho e comer um sanduíche e vou logo voltar para lá. Como? Você telefonou para o escritório. Meu bem, é claro que a telefonista não estava trabalhando, não é, bem. Ha, ha, você é demais. Olha, querida? Alô? Sábado eu estou aí. beijo nas crianças. Socorro. Eu disse, um beijo.

PROPOSTA:

A partir da leitura da crônica de Luis Fernando Verissimo, escreva um novo texto, posicionando-se como um dos seguintes narradores:

esposa, nesta mesma conversa com o marido;

esposa, relatando o que aconteceu a uma amiga;

esposa, relatando o que aconteceu à sua mãe;

marido, relatando o que aconteceu a um amigo.

Não esqueça de dar um tom humorístico!

Dica ao professor: Que tal levar um aparelho de telefone e pedir que alguns alunos mostrem o texto criado?

Exemplo de texto feito por uma aluna:

“- Alô? Oi, Júlia! Não, na verdade não estou nada bem. Acabei de falar com o Pedro. É, pois é! Eu também vi aquela foto. Infeliz. Ele jurou que não era ele. Mas, tolo. Ele sabia até a cor do pareô. E depois veio com o papo de que eu estava louca. Pois é. Não sei como vamos ficar. Ele disse que eu não confio nele… O quê? Fala de novo! Sim, sim ele pediu perdão. Mas a ligação estava falhando! Fiquei um tempo sem o escutar. Depois, perguntei o que ele havia falado, e ele disse que não era nada, que só queria pedir desculpas e que sábado vinha pra cá. Na verdade não sei ainda se vou aceitá-lo de volta. Mas acho que ele está sendo sincero. Pare! Pare de tentar me envenenar. Que tipo de amiga é você? Quer acabar com meu casamento? O quê? Como assim? Não, eu não estou louca, você falou que eram três. Como assim, se na foto só apareciam duas? Cretina, você também estava lá! Esquece que eu existo, sua mocreia!!! O quê? O pareô era laranja?! PI, PI, PI!”