Pronúncia e etimologia – “Aedes aegypti”

A pronúncia do “Aedes aegypti”

O mosquito da dengue é um velho conhecido dos brasileiros, desde os tempos em que seu portifólio de doenças era restrito apenas à dengue e à febre amarela. Seu nome científico, contudo, gera algumas dúvidas tanto na grafia complicada quanto na pronúncia. A grafia correta é “Aedes aegypti” (com “A” maiúsculo no primeiro nome e “a” minúsculo no segundo, como determina a nomenclatura taxonômica). Quanto à pronúncia, sempre houve a preferência em se dizer /aédis/ /egípti/. Ocorre que, recentemente, a mídia tem preferido dizer /édis/ /egípti/. O que terá acontecido com o primeiro “a”?

Para explicar isso, é preciso ter em mente que a mídia está “tentando” falar corretamente ao buscar a pronúncia latina do nome, uma vez que os nomes científicos são formados em latim ou são latinizados. Assim, como em latim o grafema “æ (a+e) tradicionalmente se pronuncia “e” (aberto, como em “taenia solium”), passaram a pronunciar /édis/ da mesma forma como sempre fizeram com o /egípti/, só que, acredito eu, de maneira inadequada.

Mas qual é o problema? O erro é presumir que o nome “Aedes aegypti” seja inteiramente de origem latina. Ainda que se trate de um nome “latinizado”, não é inteiramente latino. Se fosse, não haveria problema em dizer-se /édis/ /egípti/.

O nome científico do mosquito tem uma parte latina, “aegypti”, que significa “do Egito” e se pronuncia mesmo /egípti/. Porém, a primeira parte dele não vem do latino “aedes” – que significaria “casa” –, mas sim deriva do grego “edus”, que significa “doce”, “agradável”.

Assim, a parte de origem grega, “Aedes”, significa “desagradável”, “odioso”, “nojento” e, diversamente do latim, tem o “a” pronunciado claramente – é até habitual marcar o “e” com um traço ou trema: Aëdes. Esse “a” do “Aedes” é um prefixo grego que dá ideia de negação – como acontece em “amoral”, “ateu” ou “afônico”. A pronúncia que destaca o “a” do “e” deixa clara essa negação. Se esse “a” não for pronunciado, o que seria “desagradável” passa a ser “agradável”, e tal adjetivo não pode ser aplicado a esse inseto. Da mesma forma, se quisermos nos ater ao latim, ao dizer /édis/, o mosquito deixa de ser o “odioso do Egito” e se transforma em algo como “casa do Egito”.

Se esses argumentos não são suficientes, podemos recorrer ao próprio latim para abonar a pronúncia /aédis/. É que, se no latim científico – baseado na pronúncia tradicional medieval – dizemos “e” para o grafema “ae”, o mesmo não ocorre com a pronúncia restaurada do latim clássico – o latim dos tempos de Cícero e Virgílio –, em que se pronuncia /aédis/.

Dessa forma, creio que a grande maioria da mídia tem sido infeliz ao fazer essa “correção”, pois me parece mais adequado pronunciar /aédis/ /egípti/, como todos faziam antes.

Disponível em: http://blogapendice.blogspot.com.br/2016/02/a-pronuncia-do-aedes-aegypti.html

 

 

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8 de março: Dia Internacional da Mulher

Vários textos com atividades que podem se estender por até 20h/a. As sugestões são mais indicadas para 8º e 9º ano.

TEXTO 1

Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?
Paula Nadal

dia mulher

Funcionárias do Instituto de Resseguros do Brasil, primeira empresa no país a ter uma creche para filhos das funcionárias. Foto: Divulgação.

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Somente em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher, e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

“O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países”, explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília.

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Adaptado de: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/8-marco-dia-internacional-mulher-genero-feminismo-537057.shtml

QUESTÕES:

1- A finalidade do texto é:
a) informar
b) satirizar
c) argumentar
d) emocionar
e) criticar

2- Acerca do Dia Internacional da Mulher é incorreto afirmar que:
a) O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos.
b) A data só foi reconhecida oficialmente em 1977 pelas Nações Unidas.
c) Apesar de muitos considerarem como marco o incêndio ocorrido em 25 de março de 1911 numa fábrica em Nova York, as origens do Dia Internacional da Mulher são anteriores a esse episódio.
d) Essa conquista é decorrência de uma sucessão de lutas ocorridas desde o final do século 19, sobretudo as reivindicações por melhores condições de trabalho, qualidade de vida e pela igualdade econômica e política.
e) O 8 de março serve para mobilizar a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências ainda existentes contra as mulheres.

3- Para garantir a credibilidade do texto, a autora se valeu de vários artifícios, exceto:
a) inserção de fatos históricos
b) citação direta de uma autoridade no assunto
c) referência a órgãos internacionais
d) opiniões pessoais e dados estatísticos
e) recurso imagético

4- Em relação ao Brasil, o movimento em prol dos direitos da mulher ganhou força com:
a) a luta pelo direito ao voto feminino.
b) o incêndio na fábrica têxtil.
c) a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina.
d) a criação da Delegacia Especializada da Mulher.
e) a promulgação da lei Maria da Penha.

5- Construa uma resposta consistente à pergunta lançada como título do texto. Tome por base a leitura realizada e inclua sua opinião.

TRABALHO EM GRUPO:

Qual o papel da mulher na sociedade brasileira?

Dividir a turma em grupos. Cada grupo pesquisará um dos seguintes itens, que serão sorteados. A pesquisa será apresentada oralmente, e deverá contar um recurso audiovisual. Para cada assunto, trazer a biografia de uma mulher que foi destaque.

Conquistas das mulheres brasileiras:

– Mulher no esporte
– Mulher na cultura (Música)
– Mulher na cultura (Educação)
– Mulher na cultura (Literatura)
– Mulher na cultura (Arte)
– Lei Maria da Penha
– A mulher e o mercado de trabalho
– Evolução da moda feminina
– Direito ao voto e à carreira política

TEXTO 2

Entrevista com Martha Medeiros

Martha Mattos de Medeiros – ou simplesmente Martha Medeiros, como assina seus textos – é uma escritora cheia de sensibilidade e dona de estilo muito próprio. Nascida em Porto Alegre, ganhou reconhecimento graças à capacidade única de interpretar a alma feminina. Por tudo isso, foi uma das convidadas especiais do blog na série de entrevistas que assinalam a Semana da Mulher JB. Confira:

Martha Medeiros.jpg

Blog JB – Como se tornou escritora?
Martha Medeiros – Comecei publicando poemas. Anos depois surgiu a oportunidade de escrever crônicas para jornal e só recentemente me aventurei na ficção. Foi tudo aos pouquinhos, um degrau após o outro.

Blog JB – Como gosta de se vestir?
MM – De forma casual. Mas fico atenta às matérias-primas e aos acessórios.

Blog JB – Modelo de sapato de sua preferência:
MM – No inverno, uso botas no dia a dia e scarpin em eventos mais sofisticados.

Blog JB – Salto alto ou rasteirinha?
MM – Na verdade, prefiro um salto médio. Assim invisto no conforto e ao mesmo tempo mantenho uma certa postura.

Blog JB – Prato preferido:
MM – Risoto de camarão.

Blog JB – Um livro:
MM – Longamente, do francês Erik Orsenna.

Blog JB – Uma mulher que você admira e por quê:
MM – A escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral. É uma mulher madura, bem-humorada e extremamente talentosa. Domina a arte de escrever sobre as relações humanas de forma despretensiosa e muito verdadeira.

Blog JB – Um segredo de beleza:
MM – Manter os cabelos bem tratados e não exagerar na maquiagem.

Blog JB – Para você, o que é sucesso?
MM – É sentir-se plenamente satisfeito com o que faz, independentemente de atuar numa esfera pública ou privada. E essa satisfação precisa se traduzir na vida pessoal.

Blog JB – E o que é ser elegante?
MM – É desprezar tudo o que é over, exagerado. Vale não só pra moda, mas principalmente para as atitudes.

Blog JB – O que você ama fazer?
MM – Viajar.

Disponível em: http://jorgebischoff.com.br/blog/semana-da-mulher-jb-martha-medeiros/

LEITURA DE CRÔNICAS:

Distribuir livros de crônicas de Martha Medeiros ou exemplares do jornal Zero Hora, em que a escritora é colunista, para que os alunos leiam.

TRABALHO INDIVIDUAL:

Entrevistar uma mulher da comunidade. Elaborar as perguntas e mostrar antes à professora.

Tópicos para elaboração das questões:

– Nome, idade e ocupação
– Importância do Dia Internacional da Mulher
– Qualidade de vida
– Igualdade de gêneros
– Realização pessoal/profissional
– Sonhos
– Ídolos

TEXTO 3

Dados nacionais sobre violência contra as mulheres

Apesar de ser um crime e grave violação de direitos humanos, a violência contra as mulheres segue vitimando milhares de brasileiras reiteradamente: 38,72% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 33,86%, a agressão é semanal. Esses dados foram divulgados no Balanço dos atendimentos realizados de janeiro a outubro de 2015 pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

Dos relatos de violência registrados na Central de Atendimento nos dez primeiros meses de 2015, 85,85% corresponderam a situações de violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Em 67,36% dos relatos, as violências foram cometidas por homens com quem as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo: companheiros, cônjuges, namorados ou amantes, ex-companheiros, ex-cônjuges, ex-namorados ou ex-amantes das vítimas. Já em cerca de 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.

Nos dez primeiros meses de 2015, do total de 63.090 denúncias de violência contra a mulher, 31.432 corresponderam a denúncias de violência física (49,82%), 19.182 de violência psicológica (30,40%), 4.627 de violência moral (7,33%), 1.382 de violência patrimonial (2,19%), 3.064 de violência sexual (4,86%), 3.071 de cárcere privado (4,87%) e 332 envolvendo tráfico (0,53%).

Os atendimentos registrados pelo Ligue 180 revelaram que 77,83% das vítimas possuem filhos (as) e que 80,42% desses (as) filhos(as) presenciaram ou sofreram a violência.

Disponível em: http://www.spm.gov.br/central-de-conteudos/publicacoes/publicacoes/2015/balanco180-10meses-1.pdf

TEXTO 4

Gráfico_Violência_Mulher_2015.jpg

TEXTO 5

Relato:

Mariana Miguel Avelino – 25 anos – assistente social

Em abril de 2010, por volta das 6h30 da manhã, sofri uma tentativa de estupro. Eu caminhava até o ponto de ônibus. Do outro lado da calçada, passou um homem me olhando. Falei “bom-dia”, ele não respondeu. Continuei caminhando até sentir um pingo de chuva. Resolvi voltar. Aquele mesmo homem estava novamente no caminho, dessa vez com um capuz na cabeça e a mão no bolso. Quando nos cruzamos, ele me segurou pelo braço, colocou uma garrafa quebrada na minha cintura e disse: “Não quero sua bolsa. Vem comigo, se gritar eu te mato”. Quando percebi que ele me levava para um matagal, comecei a gritar por socorro. Ele só mandava eu calar a boca, aproximava seu corpo do meu, pressionava cada vez mais minha cintura, braço, pescoço e me ameaçava de morte. Desprendi-me dele e saí correndo. Ele me pegou novamente pelo braço, me apertou muito, dizendo que me mataria. Depois de muitos tapas e puxões, consegui me livrar e chegar em casa. Me sentia suja, invadida. Depois, identifiquei o agressor. Fiz um boletim de ocorrência. Talvez por estar acompanhada por meu pai, todos me respeitaram na delegacia. Nunca esquecerei minha primeira consulta com uma psicóloga. Fui vestida com uma calça legging e uma blusa roxa caída no ombro. Depois de contar o ocorrido, ela me perguntou: “Mas você estava vestida assim?”. Me senti culpada. Raspei meu cabelo, achando que poderia ficar feia e chamar menos a atenção. No fim, me senti mais bonita de cabelo raspado. Forte e pronta para a luta.

 Disponível em: http://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/revista-epoca-aborda-violencia-contra-mulher/

QUESTÕES:

1- Além do 8 de março, há outra data importante: 25 de novembro, instituído como o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Por que é necessário existir uma data para isso?
2- Quais os dois tipos de violência que são mais praticados contra a mulher?
3- Como é possível mudar a realidade da violência?
4- Que atitude as mulheres devem tomar para se defender da violência?
5- Em sua opinião, o comportamento feminino, como a maneira de se vestir, por exemplo, influencia nas tentativas de estupro?

g

CONVERSA SOBRE IGUALDADE DE GÊNEROS:

Distribuir aleatoriamente papéis com as seguintes frases populares:

Do homem a praça, da mulher a casa!
Entre marido e mulher não se mete a colher!
Com mulher de bigode nem o diabo pode!
Mulher no volante, perigo constante!
Homem velho e mulher nova: ou corno ou cova!

Outras “máximas” que provocam rivalidade entre os gêneros:

Homem não chora…
Cor rosa é para mulher e azul para homem.

Quem recebe é chamado para ler e opinar. Os ouvintes podem complementar.

O vídeo desta propaganda também pode ser mostrado. A misoginia está totalmente evidenciada.

Enfim, a questão geral é: Como lidar com tantas rotulações que acabam definindo de modo preconceituoso os valores de uma mulher e de um homem, sendo levados à opinião pública?

 

TRABALHO EM GRUPO:

Em grupos, produzir um teatro relacionado ao tema.

REDAÇÃO:

Violência_contra_Mulher

A partir da leitura dos textos e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema: Violência contra a mulher.

Pontuação – 7º ano

DESAFIO

Este desafio é ótimo para que os alunos percebam o quanto os sinais de pontuação são essenciais, inclusive para a interpretação.

Peça que observem o texto:

O mistério da herança

Um homem rico estava muito mal, agonizando.
Dono de uma grande fortuna, não teve tempo de fazer o seu testamento.
Lembrou, nos momentos finais, que precisava fazer isso. Pediu, então, papel e caneta.
Só que, com a ansiedade em que estava para deixar tudo resolvido, acabou complicando ainda mais a situação, pois deixou um testamento sem nenhuma pontuação.
Escreveu assim:
Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.
Morreu, antes de fazer a pontuação.
A quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes: a irmã, o sobrinho, o padeiro e os pobres.

Formar 4 grupos na turma. Cada grupo deverá pontuar as frases se posicionando conforme um dos possíveis herdeiros:

GRUPO 1: SOBRINHO

GRUPO 2: IRMÃ

GRUPO 3: PADEIRO

GRUPO 3: POBRES

 

Possível resolução:

O sobrinho fez a seguinte pontuação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:

Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

O padeiro não deixou por menos:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

Então, chegaram os pobres da cidade. Espertos, fizeram esta interpretação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais ! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

poder da vírgula

PONTUAÇÃO – 6º ano

Vírgula (,)

É usada para:
a) separar expressões que marcam tempo, lugar e outras circunstâncias, colocadas no início ou no meio da frase:

Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.
Nada se fez, naquele momento, para que pudéssemos sair!
Neste local, não é permitida a entrada de fumantes.

b) separar entre si elementos dispostos em enumeração:

Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.

c) isolar o vocativo:

Então, Janice, não há mais o que se dizer!

d) isolar o aposto:

João, aluno da 5ª série, apresentou ótimo rendimento.

e) separar expressões explicativas, conjunções e conectivos: isto é, ou seja, por exemplo, além disso, pois, porém, mas, no entanto, assim, etc.

As indústrias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem abrir mão dos lucros altos.

f) separar os nomes dos locais de datas:

Brasília, 30 de janeiro de 2009.

Ponto final (.)

É usado ao final de frases para indicar uma pausa total:

Eu amo minha família.

E em abreviaturas: Sr., a. C., Ltda., obs.

Ponto e vírgula (;)

É usado para separar itens enumerados:

A Matemática se divide em:
– geometria;
– álgebra;
– trigonometria;
– financeira.

Dois-pontos (:)

É usado para:
a) fazer uma citação ou introduzir uma fala:

Ele respondeu:
— Não, muito obrigado!

b) indicar uma enumeração:

Quero lhe dizer algumas coisas: não converse com pessoas estranhas, não brigue com seus colegas e não responda à professora.

Ponto de exclamação (!)

É usado quando se quer enfatizar uma frase, por ela ser humorística, gritante ou emocionante:

Que beleza!

Ponto de interrogação (?)

É usado para indicar perguntas.

Quem é você?

Travessão (–)

Serve para indicar mudança de interlocutor e para isolar palavras, frases ou expressões (como entre parênteses).

— Bom dia, mamãe.
— Bom dia, meu filho.

Exercícios de fixação

Leia os textos e faça o que se pede:

TEXTO 1:

A mosca

A mosca saiu do açucareiro.
Zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz.
Pousou numa xícara. O homem espantou-a com a mão.
Zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz.
Parou perto de outra mosca. Conversaram!
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz!
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz?
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz…
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz!
– Zzzzzzzzz zzzz!
– Z.
E voltaram as duas.
Zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz.
O homem tornou a afastá-las.
Zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz.
Elas tornaram a voltar. Agora eram três.
Zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz.
O homem se levantou e foi embora.
Moral: é mais fácil uma mosca espantar um homem do que um homem espantar uma mosca.

(ELIACHAR, Leon. O homem ao quadrado. São Paulo: Círculo do Livro, 1960.)

1) Leia o texto em silêncio.

2) Leia-o em voz alta.

3) Você leu todas as sequências de z do mesmo modo, ou seja, deu alguma pausa entre elas? Por quê?

4) Você leu todas as frases no mesmo tom ou não? Por quê?

5) Qual é a função do uso de z no texto?

6) Comente sobre a moral da história.

7) Imagine que palavras estariam sendo ditas no lugar dos zz e reescreva a história.

TEXTO 2:

Elefantes

Os elefantes são os maiores dentre os animais terrestres. Há duas espécies de elefantes: o elefante africano e o asiático.
Os elefantes vivem em pequenas famílias chamadas de clã. Cada clã tem algumas fêmeas adultas, com suas crias e outros elefantes ainda jovens. A fêmea maior e mais velha é quem dirige o clã. Os elefantes machos vivem sozinhos ou têm seus grupos separados. Juntam-se às fêmeas na época do cio.
Depois de dar à luz, a mamãe elefante alimenta seu bebê com seu leite várias vezes ao dia. Este se mantém sempre junto dela durante os primeiros meses de vida, andando quase sempre por entre as duas patas da mãe para maior proteção.
A alimentação do elefante adulto é composta por aproximadamente 250 a 320 quilos de folhas, frutos e raízes. Essa quantidade de alimentos corresponde a mais ou menos um quilômetro quadrado de vegetação raia. Além disso, precisam beber 110 a 190 litros de água por dia, sem falar na água do banho.
É por isso que, para não dizimar a vegetação de um lugar, os elefantes estão sempre viajando.
Os elefantes mais velhos e doentes, geralmente, retiram-se do grupo principal e formam sua própria manada. Com eles vão alguns elefantes jovens, que lhes fornecem ajuda para procurar comida e proteção contra outros animais.
Quando estão quase à morte, esses elefantes velhos e doentes procuram lugares calmos onde possam conseguir agia e comida com mais facilidade. Os mortos ficam por ali, o que deu a falsa impressão de que existiriam “cemitérios de elefantes.”
Os elefantes jamais morrem por ataque de outros animais, sendo o homem o seu maior inimigo.

(Como vivem os animais. São Paulo: Abril. p. 3-4)

1) Quais são as principais informações que o texto nos traz sobre os elefantes?

2) Quais são as espécies de elefantes que existem?

3) Existem realmente cemitérios de elefantes? Comente, com base nas informações trazidas pelo texto.

4) De que modo os elefantes demonstram que respeitam a natureza?

5) Você já viu algum elefante pessoalmente ou só por imagens? Comente.

6) Na linha 2, os dois pontos estão sendo usados para:
(  ) introduzir uma fala de personagem.
(  ) introduzir uma explicação.

7) Pontue as frases a seguir, usando os dois pontos, com o mesmo objetivo apontado no item 6, onde for necessário:
a) As famílias de elefantes são formadas por estes componentes algumas fêmeas adultas, suas crias e outros elefantes ainda jovens.
b) A alimentação do elefante adulto é composta por três elementos básicos folhas, frutos e raízes.
c) Há bandos de elefantes formados por outros elementos três elefantes mais velhos e doentes e elefantes mais jovens.

8) Observe bem as frases a seguir:
Depois de dar à luz, a mamãe elefante alimenta seu bebê com seu leite várias vezes ao dia.
Várias vezes ao dia, a mamãe elefante alimenta seu bebê seu leite depois de dar à luz.

Agora responda.
8.1 As expressões sublinhadas dão ideia de lugar ou de tempo?
8.2 O que você pôde perceber que aconteceu com o uso da vírgula nas duas frases? Tem algo a ver com a posição em que as expressões sublinhadas se encontram? Comente.
8.3 – Use a vírgula nas frases a seguir, quando se fizer necessária.
a) Os elefantes machos adultos juntam-se às fêmeas na época do cio.
b) Na época do cio os elefantes machos adultos juntam-se às fêmeas.
c) Durante o período de um dia um elefante precisa beber de 110 a 190 litros de água.
d) Um elefante precisa beber de 110 a 190 litros de água durante o período de um dia.

9) Observe estas frases:
Para não dizimar a vegetação de um lugar, os elefantes estão sempre viajando.
Os elefantes, para não dizimar a vegetação de um lugar, estão sempre viajando.
Os elefantes estão sempre viajando para não dizimar a vegetação de um lugar.
Quando estão quase à morte, esses elefantes velhos e doentes procuram lugares calmos onde possam conseguir água e comida com mais facilidade.
Esses elefantes velhos e doentes, quando estão quase à morte, procuram lugares calmos onde possam conseguir água e comida com mais facilidade.
Esses elefantes procuram lugares calmos onde possam conseguir água e comida com mais facilidade quando estão quase à morte.

Agora responda:
O que você pôde perceber com relação ao uso da vírgula nessas frases? Tem algo a ver de novo com a posição de certas expressões na frase? Comente, procurando dizer que tipos de ideias são por elas expressas.

10) Reescreva as frases a seguir, trocando de posição os elementos possíveis e pontuando com vírgula onde for preciso. Procure tomar como base as frases do item 9.
a) O bebê elefante anda quase sempre por entre as patas da mãe para que fique mais protegido.
b) Os elefantes retiram-se do grupo principal e formam sua própria manada quando ficam mais velhos e doentes.

11) Procure saber mais sobre o elefante africano e o asiático. Escreva um texto mostrando o resultado de sua pesquisa.

elefante

Texto: um enigma a ser desvendado

Na busca pelo sentido do texto, o leitor é desafiado a participar de um estudo minucioso, partindo das pequenas porções, chamadas enunciados, nas quais a menor palavra pode funcionar como “xeque-mate”, carregando a essência do todo, ou seja, do texto.

Conforme Dominique Maingueneau (2001, p.20), para compreender o sentido de um enunciado, não basta recorrer a um livro de gramática ou a um dicionário: “É preciso mobilizar saberes muito diversos, fazer hipóteses, raciocinar”.

Koch, em sua obra Desvendando os segredos do texto (2003, p.19), compara-o a uma espécie de “jogo da linguagem”, no qual os “estrategistas” usam vários meios “de ordem sociocognitiva, interacional e textual” a fim de alcançarem o sentido. Como peças fundamentais desse jogo, a autora aponta o “produtor/planejador”, cujo papel é disponibilizar seu projeto de dizer, valendo-se de diversos artifícios para orientar o “leitor/ouvinte”, que, por sua vez, deve seguir os indícios oferecidos, desvendando as pistas e construindo, assim, o sentido, e, também, o próprio “texto”, como instrumento articulador das informações explícitas e implícitas organizadas pelo produtor.

À medida que autor e leitor se encontram, mesmo que indiretamente, aceitam fazer parte do jogo, procurando cooperar um com o outro. Os conhecimentos mútuos precisam ser levados em conta no momento da elaboração do texto, pois são indispensáveis para que o leitor possa moldar um sentido convergente com aquele inicialmente pensado pelo produtor. Para a linguística textual, o processo de construção do sentido se dá pela análise e apreensão das informações encontradas no co(n)texto, unidas aos conhecimentos de mundo que, a partir de uma série de recursos, são acionados pelo sujeito interlocutor. Com efeito, a compreensão depende de uma grande parcela de saberes compartilhados.

O leitor é um agente que reconstrói o sentido do texto, por meio de fatores linguísticos e extralinguísticos. Os fatores linguísticos abarcam o léxico, a morfologia, a sintaxe e todos os demais elementos que compõem o universo verbal e requerem habilidades como reconhecer palavras, associar os sentidos entre uma oração e outra, enquanto os fatores extralinguísticos são extrínsecos ao texto, no sentido de que exigirão do leitor a criação de representações mentais do que está sendo lido. Aí entram os conhecimentos enciclopédicos, as expectativas, as opiniões particulares, as vivências, que complementarão a interpretação.

A reação desse sujeito pode ser de consenso, se ele se enquadrar na imagem inicialmente criada pelo produtor do texto, ou de discordância, se essa imagem não estiver condizente. Por isso, Patrick Charaudeau, segundo Ieda de Oliveira (2003, p.29), alerta que “o ato de comunicar-se é uma aventura”, podendo resultar em sucesso ou em fracasso.

O texto é, portanto, um processo de construção de sentido no qual os sujeitos interagem numa atividade sociocomunicativa.

Ora, se o sujeito, a cada nova leitura, vai desvendando mais pistas e atribuindo sempre novos significados, o texto é mesmo um enigma a ser desvendado, pois seu sentido é passível de reconstruções permanentes.

Narração

Professor: Visualizar algumas imagens com os alunos, analisando cada uma para que a turma vá descobrindo o tema da narrativa que será estudada. No fim da apresentação de slides, indagar: Qual é o tema que estas imagens nos sugerem?

Entregar as cópias da letra da canção Eduardo e Mônica, composta por Renato Russo, da Legião Urbana, e pedir aos alunos que façam a leitura silenciosa. 

 

Eduardo e Mônica

Letra: Renato Russo (Legião Urbana)/ Composta em 1986

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”

Festa estranha, com gente esquisita
“Eu não tô legal”, não aguento mais birita”
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar

E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
“É quase duas, eu vou me ferrar”

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de “camelo”
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Antes de ouvir a música, perguntar quem já conhecia a canção e a banda. Mostrar aos alunos, alguns dados biográficos de Renato Russo. 

Renato+Russo+R+enato

Após escutar a música, fazer, oralmente, uma breve interpretação. Em seguida, assistir a este vídeo e novamente retomar a exploração oral. Perguntar sobre as impressões dos alunos “antes” e “depois” do vídeo.

Agora, os alunos devem registrar o que foi estudado. Essa parte da aula pode ser feita em duplas.

 

ROTEIRO PARA ANÁLISE

Dados sumários sobre o texto:
Autor:
Título da obra:

Estrutura da narrativa
1) Personagens
Identifique os traços físicos e psicológicos dos principais personagens:
Eduardo:
Mônica:
A seguir, recorte de jornais ou revistas pessoas que representem os protagonistas.

2) Enredo
Faça um resumo da história (princípio – meio – fim).

3) Ambiente
Qual é o tipo de ambiente predominante: físico (a natureza, o campo, a cidade) ou social (algum agrupamento social específico, alguma parcela da comunidade, fábrica, colégio, clube, família)?

4) Tempo
Quanto tempo você acha que se passou desde que as personagens se conheceram até o final da história? Justifique seu raciocínio.

5) Foco narrativo
O narrador é narrador-personagem ou narrador-observador?

6) Público-alvo
A que leitor esse texto se destina?

Vocabulário
1) Pesquise sobre as seguintes personalidades mencionadas no texto:
Godard –
Bandeira –
Bauhaus –
Van Gogh –
Mutantes –
Caetano –
Rimbaud –

2) Há muitas expressões coloquiais (informais) no texto. Para que servem?

3) Dê o significado destas expressões:
a) “Eu não estou legal”.
b) “Não aguento mais birita”.
c) “Eu vou me ferrar”.
d) “O Eduardo de camelo”.
e) “Batalharam grana e seguraram legal”.
f) “A barra mais pesada que tiveram”.
g) “Que nem feijão com arroz”

4) Utilizando expressões próprias da linguagem dos personagens, o autor conta a história. Explique o significado dos trechos seguintes, como no modelo:

“… falava coisas sobre o Planalto Central” – Mônica explicava política para Eduardo.

a) “… ainda no esquema escola-cinema-clube-televisão” –
b) “… coisas sobre o céu, a terra, a água” –
c) “Ela era de Leão e ele tinha dezesseis” –

Interpretação
1. Por que num momento do texto é falado que o “filhinho” é do Eduardo e não do casal? Explique.
2. Que relação existe entre o narrador da história e o casal Eduardo e Mônica? Comprove com uma passagem do texto.
3. Qual o tema principal do texto?
4. Quem sofre mais transformações na história: Eduardo ou Mônica? Por quê?
5. Você acha que um ajudou o outro a se transformar ou foram mudanças naturais? Justifique sua resposta:
6. Essa letra de música possui elementos narrativos? Por quê?
7. Observe que o texto começa e termina com os mesmos versos. Que justificativa podemos apresentar para esta estrutura?
8. Para você, “existe razão nas coisas feitas pelo coração”? Justifique.
9. Faça um comentário sobre a história.

 

Produção textual

Após entender melhor sobre os aspectos da estrutura narrativa, reescreva a canção em forma de prosa narrativa.

 

Início do ano letivo… minha primeira aula… E agora?

Olá, colegas!

Pensando em como será o meu primeiro dia de mais um ano letivo e devido a muitos e-mails de professores aflitos porque irão encarar a sala de aula pela primeira vez, resolvi compartilhar umas ideias…

Geralmente, tenho 2 ou 3 períodos já na largada! Parece cansativo, mas no início a galera sempre está disposta, e se a aula for bem atrativa, passa voando! Dependendo da turma, a aula descrita poderá se estender por mais tempo.

Nada de redação sobre as férias, por gentileza!

Para começar, eu costumo fazer uma dinâmica, que não precisa ter relação direta com a matéria. É uma tática para “quebrar o gelo”. Gosto muito da que chamei de Corrente das Metas.

 

PARTE 1

APRESENTAÇÃO: DINÂMICA “CORRENTE DAS METAS”

O professor, depois de se apresentar, solicita aos alunos que se disponham com suas classes em círculo ou U, e distribui para cada um uma tira de papel, previamente recortada em papel cartão. Todos deverão pensar e anotar dois itens, um de cada lado, junto com seu nome:

1- O que eu espero em relação à vida pessoal em 2016;

2- O que eu espero em relação à escola e à turma.

Feito isso, inicia a apresentação das metas para 2016. Cada um levanta (iniciando pelo professor), fala seu nome, idade e lê o que escreveu. Em seguida, usando cola em bastão, tornará sua tira em forma de um elo, unindo-a à outra, formando uma corrente.

Por fim, a turma fica à vontade para expor reflexões, e o professor pode conduzir esse momento, perguntando:

– O que simboliza a corrente?

– Por que unir os elos?

– É fácil conseguir essas metas com a corrente arrebentada, com elos sozinhos?

Após, recolhe-se a corrente. Ela ficará guardada ou poderá ser exposta (caso haja um espaço adequado sem que a danifique), e ao final do ano letivo será relida, com o intuito de que a turma avalie se as metas foram ou não alcançadas.

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PARTE 2

PRODUÇÃO TEXTUAL: AUTOBIOGRAFIA

O próximo passo é solicitar aos alunos a redação de uma autobiografia, que inclua uma apresentação com características físicas e psicológicas, anseios e metas para este ano em relação à escola e à disciplina e, por fim, o que se espera em relação ao futuro. O resultado sempre é ótimo para ambas as partes, pois muitos realmente “abrem o coração”, desabafam, falam de problemas, de sonhos… e nós professores sentimos que ali se criou um laço de confiança. Podemos conhecer quem é aquele jovem com quem iremos conviver. Frise que esse trabalho será lido apenas pelo professor, assim todos se sentem mais livres para contar o que desejam.

A partir do texto, talvez já se ouçam falas do tipo: “Detesto escrever…”, “Não gosto de Português por isso…”. Aí é a hora de provar a importância da disciplina.

E, para complementar, pesquisando no amigo Google, encontrei no Espaço Docente Aprendiz, esse planejamento muito interessante, principalmente se a turma for um 9º ano, já que será o último do Ensino Fundamental e nesta etapa começam as preocupações com o mercado de trabalho.

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PARTE 3

APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Antes de dar início às dicas, gostaria que os professores lessem primeiramente esse texto introdutório:

Professor, quantas vezes seus ouvidos são bombardeados por essas frases abaixo?

– A aula de Português é chata!
Não consigo aprender português porque a gramática é muito complexa!
Os textos de interpretação são extensos e difíceis de interpretá-los!
Por que preciso aprender português?!

Manifestações como essas, citadas acima, saem constantemente de muitas vozes estudantis, espalhadas por quase todo território nacional, invadindo, sem parar, os ouvidos docentes.
Por que alguns têm repugnância pelo próprio idioma do seu país? Preguiça de ler seria o fator predominante? Na minha experiência de magistério, esse fator não é a resposta mais sensata para ser única apontada como causa.
Para saber as causas do desinteresse pela leitura, é preciso buscar respostas no próprio ambiente escolar e, principalmente, na esfera familiar. Ninguém nasce com predisposição genética que indique desgosto em aprender a usar melhor as palavras. Existem doenças neurológicas que já nascem com o indivíduo e prejudicam o processo de alfabetização.
Não resta menor dúvida que o desinteresse pelo estudo da Língua Portuguesa vem tanto da deficiência do ensino básico, em algumas escolas, quanto da falta de acompanhamento de alguns pais que, supostamente, não conseguem ver importância na educação escolar dos filhos.
É lamentável ouvir desculpas sem fundamento de alguns estudantes que ousam em dizer que não têm paciência para leitura. Pior ainda é quando um aluno julga desnecessário escrever corretamente para não ser tachado de “certinho”. Inaceitável pensar assim.
É puramente falta de interesse, de cultura geral e orientação familiar.
Antes da invasão da internet em milhares de lares de todo canto do país, erros de português, dos mais brandos aos mais absurdos, eram mais presenciados (e ainda são) em diversas placas de ruas, panfletos, jornais, livros e revistas, mas só conseguíamos, na época, ter conhecimento desses fatos na hora da passagem pelos locais que expõe as palavras mal escritas em placas comerciais, anúncios de grande porte colados em murais e panfletos de campanhas, por exemplo, inclusive até alguns livros escolares expõem erros ortográficos, embora seja de ocorrência rara devido aos cuidados dos autores na parte das edições.
A chegada da internet e a repercussão massiva dos meios de comunicação espalharam de uma só vez, os descuidos que muitos têm com o nosso idioma pátria tão presente em diversos concursos e também atuante na seleção de candidatos no mercado de trabalho.
Existe um enorme pensamento equivocado que se forma na mentalidade das pessoas, do ensino fundamental à fase universitária, que a Língua Portuguesa deve somente ser desenvolvida pela esfera docente. É só uma desculpa esfarrapada que os desinteressados e preguiçosos criam para ocultar o ponto fraco que julgam ter na cabeça em relação à disciplina.
Outra ideia inteiramente errônea é rotular o nosso idioma como objeto descartável: recebe mais atenção em épocas de concursos e quando o candidato alcança a pontuação necessária para ser admitido no cargo que escolheu, se orgulha depois ao dizer que esqueceu tudo que aprendeu de gramática e interpretação de texto que se dedicou incansavelmente em cursos preparatórios e no próprio lar.
Não é preciso pertencer à equipe de magistério para ser um bom leitor, ser fã da escrita correta e conhecedor de regras básicas de gramática.

Vamos então às dicas?

Para prender a atenção da turma, logo no primeiro dia de aula, escrevi esse texto como sugestão aos professores de Língua Portuguesa para ser usado como debate com os alunos:

A Língua Portuguesa é vista equivocadamente como uma disciplina muito complexa por haver tantos acentos, verbos, pontuações e regras gramaticais infinitas que dificultam o entendimento, e muitos estudantes se queixam por não ter aprendido, durante toda a vida escolar, a interpretar texto e assimilar as estruturas da norma culta da língua.

Para entender de vez o papel importantíssimo que a Língua Portuguesa representa, eis uma entrevista de emprego feita inusitadamente por uma dentista e direcionada a uma candidata à atendente, num consultório odontológico:

– Você tem experiência como atendente, secretária ou recepcionista?
– Sim, trabalhei como auxiliar de administração no escritório de contabilidade de um supermercado. Eu era encarregada de anotar todo o balanço no final de cada mês, anotava chegada de mercadorias e ficava responsável no recebimento de notas fiscais.

– E por que você saiu desse escritório?
– Remanejamento de funcionários e contenção de despesas.

– Sim, entendo. E por que veio se candidatar ao emprego de atendente?
– Eu estava lendo a seção de empregos num jornal e parei no anúncio referente a essa vaga de atendente que tem a ver com minha função.

– E por que você acha que irei aceitá-la trabalhar aqui em meu consultório?
– Por causa das minhas funções que eu desempenhava com responsabilidade, e pela facilidade de comunicação com o público tanto na forma de compromisso profissional quanto no tratamento afetivo.

– Correto. Você sabe mexer no computador?
– Sim, sei.

– Ligue-o pra mim, pode ser?
– Sim, claro.

[…]

– O que você sabe fazer nele?
– No meu outro emprego, as minhas funções eram executadas no Excell e no Microsoft Word.

– No Word, não é? Hummm… vejamos…Você pode abrir o Word?
– Sim, claro.

5 segundos depois, com o Word aberto, a dentista quis fechar a entrevista com a seguinte solicitação (quase uma exigência) à candidata:

– Agora, com o teclado a sua disposição, digite pra mim por que você quer esse emprego.

A candidata criou alguns cubinhos de gelo em quase todo o corpo. Apesar de algum nervosismo, atendeu a exigência da dentista, produzindo o texto:

“Li o anuncio num jornal na sessão de empregos q oferecia uma vaga de atendente de consultorio odontógico q tem haver c/ minhas abilidades.
Eu gostaria muito de ganhar o emprego pq naum quero ficar muito tempo longe do mercado de trabalho, tenho 2 filhos, sou separada, muitas contas p/ pagar, busco ser indepedente. O trabalho anterior me deu base p/ proseguir no ramo de adiministração.”

Analisando a situação:

A dentista foi criativa na forma de entrevistar a candidata. Nota-se que a aspirante à vaga de atendente respondeu objetivamente às perguntas da empregadora, dentro das suas possibilidades. Entretanto, o destaque maior encontra-se na fase final da entrevista: a candidata mostrar à profissional de odontologia que sabe utilizar as funções básicas do computador. Era somente esse o propósito? Ou a ortografia foi levada também em conta? A criatividade se traduziu exatamente na avaliação da Língua Portuguesa na parte ortográfica.

Será que a dentista foi muito radical na entrevista à candidata?

Até na candidatura à atendente, exige-se a escrita correta?

Com que finalidade a dentista usou a entrevista inusitada?

Respondendo às questões, o nível de radicalidade depende da visão de cada um. A postura da empregadora não pode ser considerada absurda, pois cada empresa, firma, consultório e até alguns estabelecimentos comerciais têm a sua maneira de selecionar candidatos a vagas numa determinada função.

Ela apenas adotou critérios de avaliação considerados peculiares, de acordo com o perfil, digamos, ideológico, característica dela própria. O recurso de usar como prova a ortografia é uma ideia excelente porque mostra que a dentista leva a sério o seu ambiente de trabalho.

Os próprios currículos, elaborados pelos candidatos, são analisados rigorosamente quanto aos erros de português, uma exigência batizada há muitos anos pela maioria dos organizadores na seleção de emprego.

Resultado: a candidata, provavelmente, não conseguiu o emprego desejado. Ela pode ter se saído bem na linguagem falada, mas na escrita…

Pela análise, ela cometeu erros imperdoáveis e inaceitáveis por concursos e empresas que trabalham seriamente na seleção de candidatos: usou o internetês em hora inapropriada para quem tinha grandes chances de ganhar a vaga; não acentuou algumas palavras; houve erros ortográficos; usou uma palavra, apesar de escrita corretamente, não adequada ao significado.

O professor pode usar esse grande exemplo para mostrar aos alunos a importância de aprender a falar e a escrever corretamente. Ele pode trabalhar com os alunos o texto feito pela candidata e pedir-lhes que corrijam os erros cometidos:

1) anuncio (faltou o acento agudo no U)

2) sessão (depende do contexto, pois existem ainda seção e cessão. No texto, o correto seria seção)

3) q (uso de abreviações encontradas em redes sociais, e-mails, mensagens instantâneas no MSN, por exemplo. O que custa escrever QUE?)

4) consultorio (onde está o acento agudo no O?)

5) odontógico (dois erros encontrados: uso incorreto do acento agudo no O e faltaram as letras L e O)

6) haver (o certo é a ver)

7) abilidades (faltou H no início)

8) c/ (só pode ser tolerado em trocas informais pela internet; o mesmo acontece com o q de QUE)

9) pq naum (o internetês jamais é permitido num documento formal, principalmente numa entrevista de emprego realizada por escrito ou em redações; portanto, escrever PORQUE NÃO é o mais sensato)

10) indepedente (independente, certo?)

11) proseguir (prosseguir)

12) adiministração (o D é mudo, sem o I; logo, administração)

Para finalizar, é extremamente fundamental deixar claro aos alunos que até um acadêmico de mais alto nível pode cometer alguns deslizes na escrita e na fala. É um ser humano também e, por isso, é natural que pode acontecer, tendo, porém, a atitude de reconhecer o erro e corrigi-lo de imediato.

Se um grupo de alunos insistir que não aprecia a Língua Portuguesa, é preciso dizê-los que o nosso idioma conta muitos pontos na hora de avaliar currículos, de conquistar vagas em diversos concursos públicos, inclusive em alguns vestibulares que adotam questões apenas discursivas, além de ensinar a redigir uma carta de apresentação como possível porta de entrada para um emprego de alto nível.

Todo mundo tem a falsa impressão de que conhece o Português muito bem e acaba deixando de lado. Isso é um erro. Por ter um peso muito grande, é ele que diferencia muitos candidatos.

Parte 3 disponível em: http://espadoca.blogspot.com.br/2011/04/como-introduzir-aula-de-lingua.html

Se depois de tudo isso, alguém não estiver convencido, mostre à turma esse vídeo, que é uma prova cabal da importância de estudar e compreender os aspectos estruturais da Língua, para não cair em situações embaraçosas como a que aconteceu com a mocinha aqui: