8 de março: Dia Internacional da Mulher

Vários textos com atividades que podem se estender por até 20h/a. As sugestões são mais indicadas para 8º e 9º ano.

TEXTO 1

Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?
Paula Nadal

dia mulher

Funcionárias do Instituto de Resseguros do Brasil, primeira empresa no país a ter uma creche para filhos das funcionárias. Foto: Divulgação.

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Somente em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher, e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

“O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países”, explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília.

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Adaptado de: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/8-marco-dia-internacional-mulher-genero-feminismo-537057.shtml

QUESTÕES:

1- A finalidade do texto é:
a) informar
b) satirizar
c) argumentar
d) emocionar
e) criticar

2- Acerca do Dia Internacional da Mulher é incorreto afirmar que:
a) O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos.
b) A data só foi reconhecida oficialmente em 1977 pelas Nações Unidas.
c) Apesar de muitos considerarem como marco o incêndio ocorrido em 25 de março de 1911 numa fábrica em Nova York, as origens do Dia Internacional da Mulher são anteriores a esse episódio.
d) Essa conquista é decorrência de uma sucessão de lutas ocorridas desde o final do século 19, sobretudo as reivindicações por melhores condições de trabalho, qualidade de vida e pela igualdade econômica e política.
e) O 8 de março serve para mobilizar a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências ainda existentes contra as mulheres.

3- Para garantir a credibilidade do texto, a autora se valeu de vários artifícios, exceto:
a) inserção de fatos históricos
b) citação direta de uma autoridade no assunto
c) referência a órgãos internacionais
d) opiniões pessoais e dados estatísticos
e) recurso imagético

4- Em relação ao Brasil, o movimento em prol dos direitos da mulher ganhou força com:
a) a luta pelo direito ao voto feminino.
b) o incêndio na fábrica têxtil.
c) a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina.
d) a criação da Delegacia Especializada da Mulher.
e) a promulgação da lei Maria da Penha.

5- Construa uma resposta consistente à pergunta lançada como título do texto. Tome por base a leitura realizada e inclua sua opinião.

TRABALHO EM GRUPO:

Qual o papel da mulher na sociedade brasileira?

Dividir a turma em grupos. Cada grupo pesquisará um dos seguintes itens, que serão sorteados. A pesquisa será apresentada oralmente, e deverá contar um recurso audiovisual. Para cada assunto, trazer a biografia de uma mulher que foi destaque.

Conquistas das mulheres brasileiras:

– Mulher no esporte
– Mulher na cultura (Música)
– Mulher na cultura (Educação)
– Mulher na cultura (Literatura)
– Mulher na cultura (Arte)
– Lei Maria da Penha
– A mulher e o mercado de trabalho
– Evolução da moda feminina
– Direito ao voto e à carreira política

TEXTO 2

Entrevista com Martha Medeiros

Martha Mattos de Medeiros – ou simplesmente Martha Medeiros, como assina seus textos – é uma escritora cheia de sensibilidade e dona de estilo muito próprio. Nascida em Porto Alegre, ganhou reconhecimento graças à capacidade única de interpretar a alma feminina. Por tudo isso, foi uma das convidadas especiais do blog na série de entrevistas que assinalam a Semana da Mulher JB. Confira:

Martha Medeiros.jpg

Blog JB – Como se tornou escritora?
Martha Medeiros – Comecei publicando poemas. Anos depois surgiu a oportunidade de escrever crônicas para jornal e só recentemente me aventurei na ficção. Foi tudo aos pouquinhos, um degrau após o outro.

Blog JB – Como gosta de se vestir?
MM – De forma casual. Mas fico atenta às matérias-primas e aos acessórios.

Blog JB – Modelo de sapato de sua preferência:
MM – No inverno, uso botas no dia a dia e scarpin em eventos mais sofisticados.

Blog JB – Salto alto ou rasteirinha?
MM – Na verdade, prefiro um salto médio. Assim invisto no conforto e ao mesmo tempo mantenho uma certa postura.

Blog JB – Prato preferido:
MM – Risoto de camarão.

Blog JB – Um livro:
MM – Longamente, do francês Erik Orsenna.

Blog JB – Uma mulher que você admira e por quê:
MM – A escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral. É uma mulher madura, bem-humorada e extremamente talentosa. Domina a arte de escrever sobre as relações humanas de forma despretensiosa e muito verdadeira.

Blog JB – Um segredo de beleza:
MM – Manter os cabelos bem tratados e não exagerar na maquiagem.

Blog JB – Para você, o que é sucesso?
MM – É sentir-se plenamente satisfeito com o que faz, independentemente de atuar numa esfera pública ou privada. E essa satisfação precisa se traduzir na vida pessoal.

Blog JB – E o que é ser elegante?
MM – É desprezar tudo o que é over, exagerado. Vale não só pra moda, mas principalmente para as atitudes.

Blog JB – O que você ama fazer?
MM – Viajar.

Disponível em: http://jorgebischoff.com.br/blog/semana-da-mulher-jb-martha-medeiros/

LEITURA DE CRÔNICAS:

Distribuir livros de crônicas de Martha Medeiros ou exemplares do jornal Zero Hora, em que a escritora é colunista, para que os alunos leiam.

TRABALHO INDIVIDUAL:

Entrevistar uma mulher da comunidade. Elaborar as perguntas e mostrar antes à professora.

Tópicos para elaboração das questões:

– Nome, idade e ocupação
– Importância do Dia Internacional da Mulher
– Qualidade de vida
– Igualdade de gêneros
– Realização pessoal/profissional
– Sonhos
– Ídolos

TEXTO 3

Dados nacionais sobre violência contra as mulheres

Apesar de ser um crime e grave violação de direitos humanos, a violência contra as mulheres segue vitimando milhares de brasileiras reiteradamente: 38,72% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 33,86%, a agressão é semanal. Esses dados foram divulgados no Balanço dos atendimentos realizados de janeiro a outubro de 2015 pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

Dos relatos de violência registrados na Central de Atendimento nos dez primeiros meses de 2015, 85,85% corresponderam a situações de violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Em 67,36% dos relatos, as violências foram cometidas por homens com quem as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo: companheiros, cônjuges, namorados ou amantes, ex-companheiros, ex-cônjuges, ex-namorados ou ex-amantes das vítimas. Já em cerca de 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.

Nos dez primeiros meses de 2015, do total de 63.090 denúncias de violência contra a mulher, 31.432 corresponderam a denúncias de violência física (49,82%), 19.182 de violência psicológica (30,40%), 4.627 de violência moral (7,33%), 1.382 de violência patrimonial (2,19%), 3.064 de violência sexual (4,86%), 3.071 de cárcere privado (4,87%) e 332 envolvendo tráfico (0,53%).

Os atendimentos registrados pelo Ligue 180 revelaram que 77,83% das vítimas possuem filhos (as) e que 80,42% desses (as) filhos(as) presenciaram ou sofreram a violência.

Disponível em: http://www.spm.gov.br/central-de-conteudos/publicacoes/publicacoes/2015/balanco180-10meses-1.pdf

TEXTO 4

Gráfico_Violência_Mulher_2015.jpg

TEXTO 5

Relato:

Mariana Miguel Avelino – 25 anos – assistente social

Em abril de 2010, por volta das 6h30 da manhã, sofri uma tentativa de estupro. Eu caminhava até o ponto de ônibus. Do outro lado da calçada, passou um homem me olhando. Falei “bom-dia”, ele não respondeu. Continuei caminhando até sentir um pingo de chuva. Resolvi voltar. Aquele mesmo homem estava novamente no caminho, dessa vez com um capuz na cabeça e a mão no bolso. Quando nos cruzamos, ele me segurou pelo braço, colocou uma garrafa quebrada na minha cintura e disse: “Não quero sua bolsa. Vem comigo, se gritar eu te mato”. Quando percebi que ele me levava para um matagal, comecei a gritar por socorro. Ele só mandava eu calar a boca, aproximava seu corpo do meu, pressionava cada vez mais minha cintura, braço, pescoço e me ameaçava de morte. Desprendi-me dele e saí correndo. Ele me pegou novamente pelo braço, me apertou muito, dizendo que me mataria. Depois de muitos tapas e puxões, consegui me livrar e chegar em casa. Me sentia suja, invadida. Depois, identifiquei o agressor. Fiz um boletim de ocorrência. Talvez por estar acompanhada por meu pai, todos me respeitaram na delegacia. Nunca esquecerei minha primeira consulta com uma psicóloga. Fui vestida com uma calça legging e uma blusa roxa caída no ombro. Depois de contar o ocorrido, ela me perguntou: “Mas você estava vestida assim?”. Me senti culpada. Raspei meu cabelo, achando que poderia ficar feia e chamar menos a atenção. No fim, me senti mais bonita de cabelo raspado. Forte e pronta para a luta.

 Disponível em: http://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/revista-epoca-aborda-violencia-contra-mulher/

QUESTÕES:

1- Além do 8 de março, há outra data importante: 25 de novembro, instituído como o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Por que é necessário existir uma data para isso?
2- Quais os dois tipos de violência que são mais praticados contra a mulher?
3- Como é possível mudar a realidade da violência?
4- Que atitude as mulheres devem tomar para se defender da violência?
5- Em sua opinião, o comportamento feminino, como a maneira de se vestir, por exemplo, influencia nas tentativas de estupro?

g

CONVERSA SOBRE IGUALDADE DE GÊNEROS:

Distribuir aleatoriamente papéis com as seguintes frases populares:

Do homem a praça, da mulher a casa!
Entre marido e mulher não se mete a colher!
Com mulher de bigode nem o diabo pode!
Mulher no volante, perigo constante!
Homem velho e mulher nova: ou corno ou cova!

Outras “máximas” que provocam rivalidade entre os gêneros:

Homem não chora…
Cor rosa é para mulher e azul para homem.

Quem recebe é chamado para ler e opinar. Os ouvintes podem complementar.

O vídeo desta propaganda também pode ser mostrado. A misoginia está totalmente evidenciada.

Enfim, a questão geral é: Como lidar com tantas rotulações que acabam definindo de modo preconceituoso os valores de uma mulher e de um homem, sendo levados à opinião pública?

 

TRABALHO EM GRUPO:

Em grupos, produzir um teatro relacionado ao tema.

REDAÇÃO:

Violência_contra_Mulher

A partir da leitura dos textos e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema: Violência contra a mulher.

Pontuação – 7º ano

DESAFIO

Este desafio é ótimo para que os alunos percebam o quanto os sinais de pontuação são essenciais, inclusive para a interpretação.

Peça que observem o texto:

O mistério da herança

Um homem rico estava muito mal, agonizando.
Dono de uma grande fortuna, não teve tempo de fazer o seu testamento.
Lembrou, nos momentos finais, que precisava fazer isso. Pediu, então, papel e caneta.
Só que, com a ansiedade em que estava para deixar tudo resolvido, acabou complicando ainda mais a situação, pois deixou um testamento sem nenhuma pontuação.
Escreveu assim:
Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.
Morreu, antes de fazer a pontuação.
A quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes: a irmã, o sobrinho, o padeiro e os pobres.

Formar 4 grupos na turma. Cada grupo deverá pontuar as frases se posicionando conforme um dos possíveis herdeiros:

GRUPO 1: SOBRINHO

GRUPO 2: IRMÃ

GRUPO 3: PADEIRO

GRUPO 3: POBRES

 

Possível resolução:

O sobrinho fez a seguinte pontuação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:

Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

O padeiro não deixou por menos:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

Então, chegaram os pobres da cidade. Espertos, fizeram esta interpretação:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais ! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

poder da vírgula

PONTUAÇÃO – 6º ano

Vírgula (,)

É usada para:
a) separar expressões que marcam tempo, lugar e outras circunstâncias, colocadas no início ou no meio da frase:

Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.
Nada se fez, naquele momento, para que pudéssemos sair!
Neste local, não é permitida a entrada de fumantes.

b) separar entre si elementos dispostos em enumeração:

Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.

c) isolar o vocativo:

Então, Janice, não há mais o que se dizer!

d) isolar o aposto:

João, aluno da 5ª série, apresentou ótimo rendimento.

e) separar expressões explicativas, conjunções e conectivos: isto é, ou seja, por exemplo, além disso, pois, porém, mas, no entanto, assim, etc.

As indústrias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem abrir mão dos lucros altos.

f) separar os nomes dos locais de datas:

Brasília, 30 de janeiro de 2009.

Ponto final (.)

É usado ao final de frases para indicar uma pausa total:

Eu amo minha família.

E em abreviaturas: Sr., a. C., Ltda., obs.

Ponto e vírgula (;)

É usado para separar itens enumerados:

A Matemática se divide em:
– geometria;
– álgebra;
– trigonometria;
– financeira.

Dois-pontos (:)

É usado para:
a) fazer uma citação ou introduzir uma fala:

Ele respondeu:
— Não, muito obrigado!

b) indicar uma enumeração:

Quero lhe dizer algumas coisas: não converse com pessoas estranhas, não brigue com seus colegas e não responda à professora.

Ponto de exclamação (!)

É usado quando se quer enfatizar uma frase, por ela ser humorística, gritante ou emocionante:

Que beleza!

Ponto de interrogação (?)

É usado para indicar perguntas.

Quem é você?

Travessão (–)

Serve para indicar mudança de interlocutor e para isolar palavras, frases ou expressões (como entre parênteses).

— Bom dia, mamãe.
— Bom dia, meu filho.

Exercícios de fixação

Leia os textos e faça o que se pede:

TEXTO 1:

A mosca

A mosca saiu do açucareiro.
Zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz.
Pousou numa xícara. O homem espantou-a com a mão.
Zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz.
Parou perto de outra mosca. Conversaram!
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz!
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz?
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz zzzzzzzzz…
– Zzzzzzzzzz zzzzzzzzz!
– Zzzzzzzzz zzzz!
– Z.
E voltaram as duas.
Zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz.
O homem tornou a afastá-las.
Zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz zz.
Elas tornaram a voltar. Agora eram três.
Zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz zzz.
O homem se levantou e foi embora.
Moral: é mais fácil uma mosca espantar um homem do que um homem espantar uma mosca.

(ELIACHAR, Leon. O homem ao quadrado. São Paulo: Círculo do Livro, 1960.)

1) Leia o texto em silêncio.

2) Leia-o em voz alta.

3) Você leu todas as sequências de z do mesmo modo, ou seja, deu alguma pausa entre elas? Por quê?

4) Você leu todas as frases no mesmo tom ou não? Por quê?

5) Qual é a função do uso de z no texto?

6) Comente sobre a moral da história.

7) Imagine que palavras estariam sendo ditas no lugar dos zz e reescreva a história.

TEXTO 2:

Elefantes

Os elefantes são os maiores dentre os animais terrestres. Há duas espécies de elefantes: o elefante africano e o asiático.
Os elefantes vivem em pequenas famílias chamadas de clã. Cada clã tem algumas fêmeas adultas, com suas crias e outros elefantes ainda jovens. A fêmea maior e mais velha é quem dirige o clã. Os elefantes machos vivem sozinhos ou têm seus grupos separados. Juntam-se às fêmeas na época do cio.
Depois de dar à luz, a mamãe elefante alimenta seu bebê com seu leite várias vezes ao dia. Este se mantém sempre junto dela durante os primeiros meses de vida, andando quase sempre por entre as duas patas da mãe para maior proteção.
A alimentação do elefante adulto é composta por aproximadamente 250 a 320 quilos de folhas, frutos e raízes. Essa quantidade de alimentos corresponde a mais ou menos um quilômetro quadrado de vegetação raia. Além disso, precisam beber 110 a 190 litros de água por dia, sem falar na água do banho.
É por isso que, para não dizimar a vegetação de um lugar, os elefantes estão sempre viajando.
Os elefantes mais velhos e doentes, geralmente, retiram-se do grupo principal e formam sua própria manada. Com eles vão alguns elefantes jovens, que lhes fornecem ajuda para procurar comida e proteção contra outros animais.
Quando estão quase à morte, esses elefantes velhos e doentes procuram lugares calmos onde possam conseguir agia e comida com mais facilidade. Os mortos ficam por ali, o que deu a falsa impressão de que existiriam “cemitérios de elefantes.”
Os elefantes jamais morrem por ataque de outros animais, sendo o homem o seu maior inimigo.

(Como vivem os animais. São Paulo: Abril. p. 3-4)

1) Quais são as principais informações que o texto nos traz sobre os elefantes?

2) Quais são as espécies de elefantes que existem?

3) Existem realmente cemitérios de elefantes? Comente, com base nas informações trazidas pelo texto.

4) De que modo os elefantes demonstram que respeitam a natureza?

5) Você já viu algum elefante pessoalmente ou só por imagens? Comente.

6) Na linha 2, os dois pontos estão sendo usados para:
(  ) introduzir uma fala de personagem.
(  ) introduzir uma explicação.

7) Pontue as frases a seguir, usando os dois pontos, com o mesmo objetivo apontado no item 6, onde for necessário:
a) As famílias de elefantes são formadas por estes componentes algumas fêmeas adultas, suas crias e outros elefantes ainda jovens.
b) A alimentação do elefante adulto é composta por três elementos básicos folhas, frutos e raízes.
c) Há bandos de elefantes formados por outros elementos três elefantes mais velhos e doentes e elefantes mais jovens.

8) Observe bem as frases a seguir:
Depois de dar à luz, a mamãe elefante alimenta seu bebê com seu leite várias vezes ao dia.
Várias vezes ao dia, a mamãe elefante alimenta seu bebê seu leite depois de dar à luz.

Agora responda.
8.1 As expressões sublinhadas dão ideia de lugar ou de tempo?
8.2 O que você pôde perceber que aconteceu com o uso da vírgula nas duas frases? Tem algo a ver com a posição em que as expressões sublinhadas se encontram? Comente.
8.3 – Use a vírgula nas frases a seguir, quando se fizer necessária.
a) Os elefantes machos adultos juntam-se às fêmeas na época do cio.
b) Na época do cio os elefantes machos adultos juntam-se às fêmeas.
c) Durante o período de um dia um elefante precisa beber de 110 a 190 litros de água.
d) Um elefante precisa beber de 110 a 190 litros de água durante o período de um dia.

9) Observe estas frases:
Para não dizimar a vegetação de um lugar, os elefantes estão sempre viajando.
Os elefantes, para não dizimar a vegetação de um lugar, estão sempre viajando.
Os elefantes estão sempre viajando para não dizimar a vegetação de um lugar.
Quando estão quase à morte, esses elefantes velhos e doentes procuram lugares calmos onde possam conseguir água e comida com mais facilidade.
Esses elefantes velhos e doentes, quando estão quase à morte, procuram lugares calmos onde possam conseguir água e comida com mais facilidade.
Esses elefantes procuram lugares calmos onde possam conseguir água e comida com mais facilidade quando estão quase à morte.

Agora responda:
O que você pôde perceber com relação ao uso da vírgula nessas frases? Tem algo a ver de novo com a posição de certas expressões na frase? Comente, procurando dizer que tipos de ideias são por elas expressas.

10) Reescreva as frases a seguir, trocando de posição os elementos possíveis e pontuando com vírgula onde for preciso. Procure tomar como base as frases do item 9.
a) O bebê elefante anda quase sempre por entre as patas da mãe para que fique mais protegido.
b) Os elefantes retiram-se do grupo principal e formam sua própria manada quando ficam mais velhos e doentes.

11) Procure saber mais sobre o elefante africano e o asiático. Escreva um texto mostrando o resultado de sua pesquisa.

elefante

ORTOGRAFIA – 6º ano

MAS: é uma conjunção coordenativa adversativa, palavra invariável que une termos de uma oração ou orações. Tem significado semelhante a “porém”, “contudo”. Exemplos:

– A situação social do país é precária, mas ainda existem aqueles que só buscam privilégios pessoais.
– Suas irmãs são caladas, mas simpáticas.

MAIS: é um advérbio de intensidade. Normalmente expressa adição, soma, acréscimo. Exemplos:

– Gostaria de comer mais pudim.
– Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo.

MÁS: é adjetivo feminino. É o antônimo de “boas”. Exemplos:

– As más línguas de nada servem.
– Essas meninas são más e antipáticas.

MAU: é um adjetivo, usado como contrário de “bom”. Exemplos:

– Eduardo é um mau garoto.
– Ele é um mau político.
– Ela está sempre de mau humor.

MAL: pode ser advérbio de modo (usado como contrário de “bem”), substantivo (com sentido de doença, tristeza, desgraça, tragédia) ou ainda conjunção temporal (com o sentido de “quando”). Exemplos:

– Ele dirige muito mal. (adv.)
– Ela cantava mal. (adv.)
– Mal cheguei em casa, o telefone tocou. (conj.)
– Mal me viu, começou a falar sobre o fato. (conj.)
– Seu mal não tem cura. (subst.)
– Deve-se evitar o mal. (subst.)

POR QUE: utiliza-se nas frases interrogativas diretas ou indiretas. Exemplos:

– Por que você está com medo?
– Ele perguntou por que o outro estava com medo.

Utiliza-se essa forma também, quando a expressão equivaler a “pelo qual”. Exemplo:

– Este é o caminho por que passamos. (caminho “pelo qual” passamos)

PORQUE: utiliza-se em frases que indicam uma explicação ou nas respostas de perguntas formuladas com “por que”. Exemplos:

– Juca não veio porque não quis.
– Venha porque precisamos de você aqui.

POR QUÊ: emprega-se somente em final de frases. Exemplo:

– Você não veio. Por quê?

PORQUÊ: é um substantivo e equivale a causa, razão, motivo e sempre virá antecedido de artigo masculino. Exemplos:

– Não sei o porquê de tanta briga.
– Interessa-me saber o porquê de tanta risada.

À: é a contração da preposição “a” com o artigo feminino “a”. Na escrita, indicamos a crase com acento grave.

Não usamos crase:
• antes de palavras masculinas, verbos e pronomes em geral;
• antes da palavra “casa”, quando não estiver determinada;
• antes de palavras negativas;
• entre palavras repetidas;
• antes de numerais (tratando-se de horário, só vai crase se pudermos substituir por “ao meio-dia”);
• antes de nomes de cidades que não admitem o artigo “a”;
• quando o “a”, no singular, for seguido de palavra no plural.

A: pode ser artigo definido ou preposição, indicando tempo futuro ou distância. Exemplo:

– Estamos a cinco minutos da praia.
– A reunião será daqui a dois dias.

HÁ: forma verbal de “haver”. Indica tempo passado ou pode assumir os sentidos dos verbos “ter”, “fazer”, “ocorrer”, “existir”. Exemplos:

– Há cinco dias que eu não vejo Marina.
– Há muitas maneiras de sermos felizes.

Lápis

Exercícios de fixação

1) Use MAL ou MAU:
a) Antônio sempre foi um …………………………. elemento.
b) Na luta contra o …………………………. , devemos nos lembrar de nosso Criador.
c) O rapaz sofria de um …………………………. incurável.
d) Dos …………………………. de nossa época, o pior é a violência.
e) Os …………………………. costumes causam problemas.
f) …………………………. soou o alarme, todos correram.
g) Ele é …………………………. criado e …………………………. aluno.

2) Use MAS, MAIS ou MÁS:
a) Embora fizesse o possível, ficava cada vez …………………………. atrasado.
b) Todos sabiam que as irmãs de Pedro eram …………………………. e covardes, …………………………. ninguém fazia comentários.
c) Não diga nem …………………………. uma palavra. Nada pode ser feito agora.
d) O corredor automobilístico esforçou-se ao máximo, …………………………. as condições da pista eram …………………………. .
e) Ele reclama sempre, …………………………. acaba fazendo seus deveres de casa.
f) Tudo seria …………………………. fácil se tivesse comparecido à reunião.

3) Use A ou HÁ:
a) Estávamos …………………………. uma pequena distância da praia. (a – há)
b) O posto de gasolina fica …………………………. três quilômetros daqui. (a  há)
c) Vive …………………………. muitos anos naquela cabana. (a  há)
d) O relatório foi encaminhado …………………………. dois dias. (a  há)
e) Sairemos daqui …………………………. dez minutos. (a – há)

4) Use corretamente os PORQUÊS:
a) A reforma da casa não foi terminada …………………………. o seu proprietário ficou sem verba.
b) …………………………. o arquiteto pediu demissão da firma?
c) Os que estudam aquele período histórico jamais compreenderam o …………………………. de tanta violência.
d) Este supermercado foi fechado. …………………………. ?
e) Não se preocupe. Tenho certeza de que a situação …………………………. você está passando é transitória.
f) Retiraram-se da assembleia sem dizer …………………………. .
g) Você é contra a liberdade de imprensa? …………………………. ?
h) Responda-me …………………………. não podemos sair agora?
i) …………………………. ela perdeu, fiquei triste.
j) Não sei o …………………………. disso.

5) Assinala a alternativa em que todas as lacunas devem ser preenchidas com CH:
A (  ) bro…..e – …..utar – aga…..ar
B (  ) acon…..egar – bu…..a – en…..erto
C (  ) bi…..o – …..ingar – …..erife
D (  ) mo…..ila – pran…..a – be…..iga

6) Assinala a alternativa em que todas as lacunas devem ser preenchidas com X:
A (  ) pra…..e – dei…..ar – pu…..ar
B (  ) …..ícara – …..u…..u – guin…..o
C (  ) bru…..a – gra…..a – ca…..ecol
D (  ) …..afariz – …..adrez – embai…..o

7) Indica a alternativa em que todas as lacunas devem ser preenchidas com J:
A (  ) man…..edoura – pa…..é – o…..eriza – a…..ência
B (  ) ti…..ela – an…..inho – tra…..e – …..en…..ibre
C (  ) ma…..estade – la…..eado – …..eito – ultra…..e
D (  ) gor…..eio – berin…..ela – here…..e – su…..estão

8) Indica a alternativa em que todas as lacunas devem ser preenchidas com G:
A (  ) a…..ito – …..esto – estran…..eiro
B (  ) pro…..eto – su…..eito – …..e…..um
C (  ) …..en…..iva – …..eito – gran…..a
D (  ) verti…..em – …..inásio – can…..ica

9) Indica a alternativa em que todas as lacunas devem ser preenchidas com Z:
A (  ) te…..ouro – indefe…..o – gosto…..o
B (  ) a…..eite – an…..ol – vi…..ão
C (  ) …..inco – prejuí…..o – bati…..ado
D (  ) bi…..arro – poeti…..a – ami…..ade

10) Indica a alternativa em que todas as lacunas devem ser preenchidas com S:
A (  ) empre…..a – defe…..a – certe…..a
B (  ) portugue…..a – chine…..a – france…..a
C (  ) ca…..eiro – de…..ejo – despre…..o
D (  ) cin…..a – anali…..ar – alfabeti…..ar

11) Observe:

compreender – compreensão, compreensivo

Faça o mesmo em relação às palavras a seguir:
a) pretender –
b) distender –
c) ascender –
d) suspender –
e) repreender –
f) apreender –

12) Uma garota de 5ª série, Dora, escreveu apressadamente em seu diário:

2 de junho: Hoje fui visitar minha prima ela tem três dias que esta em casa e uma gracinha dormi o tempo todo, quando nós estávamos indo embora ela abrio os olhos mas voltou a dormir. O nome dela é Ângela. A, de manhã, na escola vi o bento de calsa cinza e colete, mais ele e os amigos fingirão que não me virão.

Como você pode ver, Dora sabe contar muito bem os fatos do dia, mas, ao escrever, utiliza ortografia e pontuação inadequadas em relação à norma culta. Reescreva o texto de Dora, adequando-o à língua culta.

13) Complete as palavras, usando corretamente as letras G ou J.
a) Naquela via…..em ao litoral, passamos pelo posto de pedá…..io.
b) É necessário que eles via…..em ainda hoje.
c) Não su…..em a mar…..em.
d) Não esban…..em dinheiro para comprar aquele reló…..io.

14) Assinale a alternativa em que todas as palavras devem ser completadas com a letra indicada entre parênteses:
a) …..ave – …..alé – …..ícara – …..rope – …..enofobia (x)
b) pr…..vilégio – requ…..sito – …..ntitular – …..mpedimento (i)
c) ma…..ã – exce…..ão – exce…..o – ro…..a (ç)
d) …..iboia – …..unco – …..íria – …..eito – …..ente (j)
e) pure…..a – portugue…..a – cortê….. – anali…..ar (s)

15) Observe as seguintes frases:
I – A parali…..ia infantil já está praticamente erradicada no país.
II – Ob…..ecado pelo amigo, o rapaz não ouvia os conselhos dos seus pais.
III – O réu foi punido; não houve, portanto pr…..vilégios.
IV – “Qual folha instável em ventoso estilo / Do vento ao sopro a esvoa…..ar sem custo.” (G. Dias)
A sequência de letras que preenche corretamente as lacunas das palavras das assertivas acima é:
a) s – s – i – ç
b) z – s – e – s
c) s – c – i – ç
d) s – c – e – s
e) z – c – i – ç

16) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas: “Caminhavam ………. pé e sabiam estar ………. poucos metros da praia, mas o cansaço impediu-os de chegar ………. ela”.
a) a – há – à
b) à – à – a
c) à – há – a
d) a – à – à
e) a – a – a

17) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases abaixo:
I – Meu Deus, …………………………. as crianças têm que ser expostas à tragédia humana?
II – Queria entrar na rede …………………………. era mais fácil para promover um debate.
III – Muitos ainda não sabem o …………………………. da importância que se tem dado à Internet.
IV – Não há …………………………. ser feliz, se não for por um grande amor.
a) porque – porquê – por que – por quê
b) por que – porque – porquê – por que
c) porque – por que – por quê – por queDúvidas1
d) porquê – porque – por que – por que
e) por que – porque – porque – por que

18) Completa com DÁ ou DA:
a) Esse dinheiro não …………………… para cobrir as despesas.
b) As crianças já voltaram …………………… aula.
c) Todos lastimaram a falta de sorte …………………… amiga.
d) Aquele atleta …………………… todo seu empenho nos treinos.

19) Usa adequadamente os porquês:
a) Irene chora tanto, ……………………………………….?
b) Ela está assim ………………………………………. foi contrariada.
c) Os fortes vencem ………………………………………. creem na própria força.
d) Todos os trabalhos ………………………………………. ele passou deram-lhe experiência.

Texto: um enigma a ser desvendado

Na busca pelo sentido do texto, o leitor é desafiado a participar de um estudo minucioso, partindo das pequenas porções, chamadas enunciados, nas quais a menor palavra pode funcionar como “xeque-mate”, carregando a essência do todo, ou seja, do texto.

Conforme Dominique Maingueneau (2001, p.20), para compreender o sentido de um enunciado, não basta recorrer a um livro de gramática ou a um dicionário: “É preciso mobilizar saberes muito diversos, fazer hipóteses, raciocinar”.

Koch, em sua obra Desvendando os segredos do texto (2003, p.19), compara-o a uma espécie de “jogo da linguagem”, no qual os “estrategistas” usam vários meios “de ordem sociocognitiva, interacional e textual” a fim de alcançarem o sentido. Como peças fundamentais desse jogo, a autora aponta o “produtor/planejador”, cujo papel é disponibilizar seu projeto de dizer, valendo-se de diversos artifícios para orientar o “leitor/ouvinte”, que, por sua vez, deve seguir os indícios oferecidos, desvendando as pistas e construindo, assim, o sentido, e, também, o próprio “texto”, como instrumento articulador das informações explícitas e implícitas organizadas pelo produtor.

À medida que autor e leitor se encontram, mesmo que indiretamente, aceitam fazer parte do jogo, procurando cooperar um com o outro. Os conhecimentos mútuos precisam ser levados em conta no momento da elaboração do texto, pois são indispensáveis para que o leitor possa moldar um sentido convergente com aquele inicialmente pensado pelo produtor. Para a linguística textual, o processo de construção do sentido se dá pela análise e apreensão das informações encontradas no co(n)texto, unidas aos conhecimentos de mundo que, a partir de uma série de recursos, são acionados pelo sujeito interlocutor. Com efeito, a compreensão depende de uma grande parcela de saberes compartilhados.

O leitor é um agente que reconstrói o sentido do texto, por meio de fatores linguísticos e extralinguísticos. Os fatores linguísticos abarcam o léxico, a morfologia, a sintaxe e todos os demais elementos que compõem o universo verbal e requerem habilidades como reconhecer palavras, associar os sentidos entre uma oração e outra, enquanto os fatores extralinguísticos são extrínsecos ao texto, no sentido de que exigirão do leitor a criação de representações mentais do que está sendo lido. Aí entram os conhecimentos enciclopédicos, as expectativas, as opiniões particulares, as vivências, que complementarão a interpretação.

A reação desse sujeito pode ser de consenso, se ele se enquadrar na imagem inicialmente criada pelo produtor do texto, ou de discordância, se essa imagem não estiver condizente. Por isso, Patrick Charaudeau, segundo Ieda de Oliveira (2003, p.29), alerta que “o ato de comunicar-se é uma aventura”, podendo resultar em sucesso ou em fracasso.

O texto é, portanto, um processo de construção de sentido no qual os sujeitos interagem numa atividade sociocomunicativa.

Ora, se o sujeito, a cada nova leitura, vai desvendando mais pistas e atribuindo sempre novos significados, o texto é mesmo um enigma a ser desvendado, pois seu sentido é passível de reconstruções permanentes.

Argumentação e Orações subordinadas

PROJETO

TEMA: As faces da argumentação: uma abordagem do modo de organização argumentativo

PÚBLICO-ALVO: 9º ano do Ensino Fundamental (também aplicável ao Ensino Médio)

DURAÇÃO: 40 horas-aula

JUSTIFICATIVA:
O texto é o espaço comunicativo no qual se encontram interlocutor e locutor. Este tem o papel de disponibilizar seu projeto de dizer, valendo-se de diversas estratégias. Aquele, por sua vez, é chamado a desvendar as “pistas” deixadas pelo seu parceiro, reconstruindo, assim, o sentido do texto.
Do mesmo modo, também a escrita é uma ação desafiadora, que resulta da bagagem de leitura do aluno e de suas experiências de vida.
Logo, tanto a escrita quanto a leitura são processos dinâmicos, que se instauram diariamente nas práticas sociais, promovendo a interação, a transmissão da cultura, além da manipulação de determinadas ideais ou pontos de vista e, por isso, precisam ser explorados de modo significativo nas aulas de Português.
Acontece que, na realidade das escolas brasileiras, durante a análise de textos para tarefas como interpretações ou produções textuais, por exemplo, muitos professores não têm essa consciência e apresentam textos estereotipados ou descontextualizados. Apegam-se mais ao formal e ao explícito, deixando de lado a exploração de tantos recursos importantes.
Este projeto pretende, pois, resgatar o trabalho com textos de caráter argumentativo, explanando as peculiaridades do modo de organização discursiva argumentação. Para tanto, o ensino será norteado pelos pressupostos teóricos dos linguistas Koch (2006), Marcuschi (2002) e Charaudeau (1998), num planejamento convergente com a realidade da turma. Procurar-se-á fomentar a escrita e a leitura, fundamentando que, por meio da argumentação, podem-se formar sujeitos mais críticos, capazes de agir positivamente na sociedade.

OBJETIVOS:
• avaliar o conhecimento prévio do aluno em relação ao tema do projeto;
• propor atividades que permitam ao aluno posicionar-se oralmente e por escrito de maneira crítica, para que possa expor seu ponto de vista com clareza;
• contribuir com a interação da turma, incentivando a reflexão coletiva e a troca de conhecimento;
• desenvolver no aluno a capacidade de identificar as ideias centrais de um texto, especificamente do tipo argumentativo, posicionando-se como leitor, ratificando ou refutando determinada lógica argumentativa;
• oferecer oportunidades para que o aluno perceba os efeitos dos elementos que contribuem com as orientações argumentativas de um texto (operadores argumentativos, rotulações, ironias, metáforas);
• explorar os vários gêneros de caráter argumentativo (propaganda, carta de apresentação, carta de reivindicação, charge, artigo de opinião, comentário, poema, etc);
• explanar as orações subordinadas (adjetivas, adverbiais e substantivas) a partir da leitura de textos argumentativos, possibilitando que a turma reflita sobre a relação de sentido que se estabelece entre as orações;
• induzir o aluno a pensar nas relações entre o conteúdo gramatical e o tipo textual trabalhado, já que as orações subordinadas são elementos fundamentais para o encadeamento e a articulação de ideais no texto.

RECURSOS E TÉCNICAS:
– aulas expositivas e dialogadas;
– material de uso comum;
– projetor multimídia;
– filmes;
– fotocópias.

AVALIAÇÃO:
A avaliação consistirá na participação dos alunos e será qualitativa. Entre os objetos de avaliação, incluem-se as produções textuais e reescritas e as discussões em sala de aula.

 a

DESENVOLVIMENTO

PLANO DE AULA 1

Os alunos assistirão ao filme Tempos Modernos (1936), escrito e dirigido por Charlie Chaplin.
Após, haverá discussão coletiva. A professora fará breves comentários sobre a biografia de Chaplin e lançará algumas questões norteadoras, como: “Qual o tema do filme Tempos Modernos? Este filme, lançado no ano de 1936, lembra nossa realidade contemporânea? Em quais aspectos?”.

Tempos-Modernos-capa

PLANO DE AULA 2
Cada aluno receberá uma cópia do conto Circuito Fechado, de Ricardo Ramos.

Circuito fechado
Ricardo Ramos

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

Depois das leituras silenciosa e oral, a professora perguntará aos alunos: “Vocês entenderam o texto? Há coerência? Como podemos construir o sentido desse texto? O que levou o autor a escrever assim?”.
Certamente muitos dirão que acharam o texto estranho e serão indagados para que justifiquem por que ele é diferente.
Arrematando a discussão, a professora explicará que esse texto parece, à primeira leitura, um simples aglomerado de palavras. Entretanto, uma observação mais cuidadosa permite ao leitor estabelecer relações semânticas entre os vários grupos de vocábulos encadeados, revelando a coerência do texto, cujo tema é a descrição do cotidiano. Vê-se que, apesar da ausência de elementos coesivos, o texto é coerente.
A professora perguntará aos alunos se existem semelhanças entre o texto e o filme anteriormente visto. No quadro-verde, anotará algumas ideias sugeridas. A turma será induzida a pensar sobre os problemas gerados pela racionalidade do mundo do trabalho, que, dirigido pelo sistema capitalista, obriga os homens a se tornarem “escravos”, fazendo com que deixem de lado os valores, as relações interpessoais, a convivência familiar, etc.
Após as discussões, os alunos recebem a seguinte folha com atividades:

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A próxima etapa será questionar os alunos sobre os diferentes gêneros estudados até o momento, enfocando a intenção do autor.

Obs.: solicitar à turma que tragam jornais e revistas atuais para a próxima aula.

PLANO DE AULA 3

Com os alunos dispostos em duplas e munidos do material de leitura solicitado na aula anterior, a professora explica rapidamente como funcionam as seções onde se veiculam textos de opinião. Convém manusear os jornais e revistas de grande circulação como também os jornais locais, pois em todos constam textos argumentativos, visto que é um espaço propício ao gênero. Esse material ficará em sala de aula para ser utilizado novamente e poderá ser complementado.
Após, cada dupla irá ler os textos e escolher um que lhe agrade para analisá-lo, conforme o roteiro:

Roteiro para análise de textos

1) O canal gráfico de transmissão é onde o texto se materializa. Qual o canal de transmissão do texto (midiático, jornalístico, publicitário, literário, político, escolar etc)?

2) O tipo textual argumentativo pode se apresentar em diversos gêneros. Qual o gênero textual escolhido (carta, artigo de opinião, notícia, etc.)? Por que se dá a escolha por esse gênero e não por outro?

3) Locutor e interlocutor são os sujeitos da troca de linguagem. Caracterize a identidade de cada um.

4) Como o locutor se manifesta no texto? Ele procura interagir com seu interlocutor? Que tipo de linguagem ele emprega?

5) No canal gráfico de transmissão, há utilização de outros códigos (imagens, sinais, etc.) Que efeitos produzem?

6) Qual o tema do texto?

7) Qual a finalidade do texto? Que estratégias de argumentação o locutor utiliza para defender seu ponto de vista e convencer o leitor?

Produção textual:

Produza um artigo de opinião para a seção “Ponto de vista” de um jornal local, escrevendo criticamente acerca do tema “A influência do mundo tecnológico, profissional e científico sobre as relações humanas”, abordado previamente nas aulas. Como se trata de um texto de natureza opinativa, lembre-se de que você não apenas compartilhará suas ideias com o público, mas tentará convencê-lo a concordar com seu ponto de vista. Para isso, utilize bons argumentos. Utilize também uma linguagem formal, não se esqueça do título e assine o texto usando um pseudônimo.

a

PLANO DE AULA 4

Explorando a argumentação
Primeiramente, a professora fará a devolução das produções textuais, comentando os aspectos positivos e negativos. Abrirá espaço para que alguns alunos leiam seus artigos.

Conteúdo linguístico
A professora anotará no quadro-verde algumas frases para que os alunos percebam as diferenças de uso da palavra que, pois ela pode ser conjunção ou pronome.

Ela sabia que o fim estava próximo.
O que tu sabes sobre a Revolução Farroupilha?
O livro que eu li é ótimo.

Em seguida, a professora fixará um pequeno cartaz no quadro, contendo os pronomes relativos, e passará algumas frases para que os alunos revisem o emprego desses pronomes.

pronomesProposta de exercício

Empregue o pronome relativo, precedido ou não de preposição:
a) Esta terra ______________ pisas é muito fértil.
b) Pedro, ______________ voz todos conheciam, foi logo identificado pelo público.
c) Comprei o tênis ____________ vi na loja.
d) Estão aqui os funcionários em ____________ confiamos.
e) Visitei o pai de minha amiga ____________ estava doente.
f) Hoje sou eu ____________ paga a conta.
g) Ele gostou do filme _____________ história se passa no século XV.
h) Existem regiões ______________ o progresso ainda não chegou.
i) Você deve visitar a cidade ____________ nasceu Castro Alves.

Durante a correção oral, a professora explicará aos alunos as condições de uso dos pronomes relativos.
Obs.: A frase E é ótima para mostrar a questão da ambiguidade!

Produção textual

Para encerrar essa etapa, os alunos receberão cópias da notícia Proibido uso de celulares nas escolas públicas estaduais, a partir da qual deverão elaborar, individualmente, um comentário e responder a cinco questões que tratam do conteúdo gramatical visto em aula. A produção de texto será entregue à professora, e as perguntas serão corrigidas oralmente.

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PLANO DE AULA 5

Revisão do conteúdo linguístico

No primeiro momento, haverá a devolução das produções textuais e comentários.
Logo depois, a professora revisará os aspectos mais importantes da aula anterior e dirá aos alunos que o entendimento dos pronomes relativos e das conjunções integrantes foi o primeiro passo para o estudo das orações subordinadas adjetivas e substantivas. Uma vez que a turma já sabe diferenciar essas classes gramaticais, passará ao estudo das orações. A professora retoma duas das frases no quadro-verde:

Ela sabia que o fim estava próximo.

O livro que eu li é ótimo.

Depois de conduzir os alunos a reconhecer os conceitos, a professora distribui as cópias com a classificação das orações subordinadas substantivas, para que todos leiam e em seguida participem da exploração oral.

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O material de leitura será usado para que, em duplas, os alunos procurem exemplos dessas orações e construam um painel. Quanto às orações subordinadas adjetivas, para exemplificá-las, serão anotadas duas frases no quadro-verde:

Meu namorado que mora em Porto Alegre virá no domingo.
Meu namorado, que mora em Porto Alegre, virá no domingo.

A primeira observação a fazer é verificar que há um pronome relativo nas duas frases. Em seguida, a professora pedirá auxílio aos alunos para separar as orações de cada frase. Por último, perguntará à turma: “Qual a diferença entre esses períodos?”. Assim, será descoberta coletivamente a diferença de sentido entre as orações adjetivas restritiva e explicativa. Sistematizando o conteúdo, a professora distribuirá cópias de uma explanação das orações subordinadas adjetivas, com dois pares de frases para serem analisados.

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PLANO DE AULA 6

Conteúdo linguístico

Serão mostradas as propagandas a seguir, uma a uma em slides. A primeira servirá para que sejam apontadas as estratégias argumentativas utilizadas na tentativa de convencer o leitor a respeito da boa qualidade do produto, como a introdução dos comentários que circularam em revistas automotivas, sinalizando a credibilidade do novo carro. Na segunda também serão analisadas as particularidades do anúncio. A observação permitirá à turma concluir que, neste gênero, geralmente há o apelo à imagem, que pode falar por si mesma ou complementar o texto verbal. Em suma, será chamada atenção dos alunos a fim de que percebam o forte caráter incitativo dos enunciados e como se pode organizar uma propaganda.

picanto

pepsi

Nas demais propagandas, serão enfocados os enunciados, para que as orações subordinadas adverbiais possam ser introduzidas.

Sprit

 

A professora mediará as reflexões, fazendo comentários:

Vamos dividir as frases (no quadro-verde), conforme as orações:

Você canta alto
quando ouve MP3 player
só pra mostrar
que tem um.

Temos quatro orações. Qual a principal? Que palavra liga a oração principal à segunda, subordinada? É o quando. Essa oração introduzida pela conjunção tem valor adjetivo ou substantivo? Ou advérbio? O que ela exprime? E a terceira oração, relacionada à principal, nos passa a ideia de quê? Falta algo nela? Como poderíamos desenvolvê-la?

O mesmo procedimento será aplicado em relação à quarta propaganda.

avon

Logo depois, a professora distribuirá cópias do conteúdo teórico, cuja leitura será feita em silêncio e, posteriormente, haverá a explanação oral.

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Para exercitar os conhecimentos, os alunos receberão a notícia Empresa lança tênis que “cresce” com pés das crianças, publicada na Folha On-line. Em duplas, deverão identificar as orações presentes no texto e classificá-las. Após, haverá a correção oral dessa tarefa.

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Produção textual

A partir da leitura da notícia anterior, em duplas, os alunos elaborarão um anúncio bem criativo para o tênis, por meio de um texto verbal, que pode ser complementado com imagens (ilustrações feitas por eles). Visto que o produto é algo inédito, os alunos deverão usar bons argumentos para garantir que se trata de um produto realmente inovador e que vale a pena ser adquirido.
O texto escrito deverá ser entregue à professora, para que seja revisado. Na próxima aula, a dupla apresentará sua propaganda, mostrando o produto, que terá sido confeccionado.

a

PLANO DE AULA 7

Argumentação e aspectos gramaticais

A professora entregará aos alunos cópias de duas cartas (carta do leitor e carta de reivindicação). Serão feitas, em duplas, a leitura e a análise conforme as instruções do roteiro, entregue na segunda aula. A turma deverá identificar, ainda, as semelhanças e diferenças entre os textos.
Haverá orações grifadas para que os alunos analisem-nas, classificando-as.

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Produção textual

Depois da exploração oral, feita com auxílio da projeção de slides, os alunos receberão, individualmente, outra folha com alguns anúncios de emprego, retirados dos Classificados de jornais. Cada um escolherá um anúncio e deverá redigir uma carta de apresentação, dirigindo-se ao chefe da empresa como candidato a tal vaga.

 

PLANO DE AULA 8

Revisão – orações subordinadas

Para revisar as orações subordinadas, os alunos receberão uma cópia do artigo de opinião Funkeiro é vagabundo?.
Depois da exploração oral, incluindo leitura e análise conforme o roteiro, cada um responderá às quatro questões de interpretação e classificará as orações sublinhadas no texto.
Quando todos terminarem, haverá correção coletiva, momento em que a professora aproveitará para sanar as eventuais dúvidas da turma.

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PLANO DE AULA 9

Produção textual

Cada aluno receberá a cópia dos textos que serão norteadores para elaboração de um artigo de opinião.

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PLANO DE AULA 10

Avaliação – orações subordinadas e interpretação de texto

Cada aluno receberá uma cópia da prova, que consiste na leitura e interpretação do artigo de opinião Falta de educação e velocidade, de Lya Luft, bem como na verificação do conteúdo linguístico trabalhado durante o projeto.

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Narração

Professor: Visualizar algumas imagens com os alunos, analisando cada uma para que a turma vá descobrindo o tema da narrativa que será estudada. No fim da apresentação de slides, indagar: Qual é o tema que estas imagens nos sugerem?

Entregar as cópias da letra da canção Eduardo e Mônica, composta por Renato Russo, da Legião Urbana, e pedir aos alunos que façam a leitura silenciosa. 

 

Eduardo e Mônica

Letra: Renato Russo (Legião Urbana)/ Composta em 1986

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”

Festa estranha, com gente esquisita
“Eu não tô legal”, não aguento mais birita”
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar

E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
“É quase duas, eu vou me ferrar”

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de “camelo”
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Antes de ouvir a música, perguntar quem já conhecia a canção e a banda. Mostrar aos alunos, alguns dados biográficos de Renato Russo. 

Renato+Russo+R+enato

Após escutar a música, fazer, oralmente, uma breve interpretação. Em seguida, assistir a este vídeo e novamente retomar a exploração oral. Perguntar sobre as impressões dos alunos “antes” e “depois” do vídeo.

Agora, os alunos devem registrar o que foi estudado. Essa parte da aula pode ser feita em duplas.

 

ROTEIRO PARA ANÁLISE

Dados sumários sobre o texto:
Autor:
Título da obra:

Estrutura da narrativa
1) Personagens
Identifique os traços físicos e psicológicos dos principais personagens:
Eduardo:
Mônica:
A seguir, recorte de jornais ou revistas pessoas que representem os protagonistas.

2) Enredo
Faça um resumo da história (princípio – meio – fim).

3) Ambiente
Qual é o tipo de ambiente predominante: físico (a natureza, o campo, a cidade) ou social (algum agrupamento social específico, alguma parcela da comunidade, fábrica, colégio, clube, família)?

4) Tempo
Quanto tempo você acha que se passou desde que as personagens se conheceram até o final da história? Justifique seu raciocínio.

5) Foco narrativo
O narrador é narrador-personagem ou narrador-observador?

6) Público-alvo
A que leitor esse texto se destina?

Vocabulário
1) Pesquise sobre as seguintes personalidades mencionadas no texto:
Godard –
Bandeira –
Bauhaus –
Van Gogh –
Mutantes –
Caetano –
Rimbaud –

2) Há muitas expressões coloquiais (informais) no texto. Para que servem?

3) Dê o significado destas expressões:
a) “Eu não estou legal”.
b) “Não aguento mais birita”.
c) “Eu vou me ferrar”.
d) “O Eduardo de camelo”.
e) “Batalharam grana e seguraram legal”.
f) “A barra mais pesada que tiveram”.
g) “Que nem feijão com arroz”

4) Utilizando expressões próprias da linguagem dos personagens, o autor conta a história. Explique o significado dos trechos seguintes, como no modelo:

“… falava coisas sobre o Planalto Central” – Mônica explicava política para Eduardo.

a) “… ainda no esquema escola-cinema-clube-televisão” –
b) “… coisas sobre o céu, a terra, a água” –
c) “Ela era de Leão e ele tinha dezesseis” –

Interpretação
1. Por que num momento do texto é falado que o “filhinho” é do Eduardo e não do casal? Explique.
2. Que relação existe entre o narrador da história e o casal Eduardo e Mônica? Comprove com uma passagem do texto.
3. Qual o tema principal do texto?
4. Quem sofre mais transformações na história: Eduardo ou Mônica? Por quê?
5. Você acha que um ajudou o outro a se transformar ou foram mudanças naturais? Justifique sua resposta:
6. Essa letra de música possui elementos narrativos? Por quê?
7. Observe que o texto começa e termina com os mesmos versos. Que justificativa podemos apresentar para esta estrutura?
8. Para você, “existe razão nas coisas feitas pelo coração”? Justifique.
9. Faça um comentário sobre a história.

 

Produção textual

Após entender melhor sobre os aspectos da estrutura narrativa, reescreva a canção em forma de prosa narrativa.