8 de março: Dia Internacional da Mulher

Vários textos com atividades que podem se estender por até 20h/a. As sugestões são mais indicadas para 8º e 9º ano.

TEXTO 1

Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?
Paula Nadal

dia mulher

Funcionárias do Instituto de Resseguros do Brasil, primeira empresa no país a ter uma creche para filhos das funcionárias. Foto: Divulgação.

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Somente em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher, e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

“O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países”, explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília.

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Adaptado de: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/8-marco-dia-internacional-mulher-genero-feminismo-537057.shtml

QUESTÕES:

1- A finalidade do texto é:
a) informar
b) satirizar
c) argumentar
d) emocionar
e) criticar

2- Acerca do Dia Internacional da Mulher é incorreto afirmar que:
a) O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos.
b) A data só foi reconhecida oficialmente em 1977 pelas Nações Unidas.
c) Apesar de muitos considerarem como marco o incêndio ocorrido em 25 de março de 1911 numa fábrica em Nova York, as origens do Dia Internacional da Mulher são anteriores a esse episódio.
d) Essa conquista é decorrência de uma sucessão de lutas ocorridas desde o final do século 19, sobretudo as reivindicações por melhores condições de trabalho, qualidade de vida e pela igualdade econômica e política.
e) O 8 de março serve para mobilizar a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências ainda existentes contra as mulheres.

3- Para garantir a credibilidade do texto, a autora se valeu de vários artifícios, exceto:
a) inserção de fatos históricos
b) citação direta de uma autoridade no assunto
c) referência a órgãos internacionais
d) opiniões pessoais e dados estatísticos
e) recurso imagético

4- Em relação ao Brasil, o movimento em prol dos direitos da mulher ganhou força com:
a) a luta pelo direito ao voto feminino.
b) o incêndio na fábrica têxtil.
c) a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina.
d) a criação da Delegacia Especializada da Mulher.
e) a promulgação da lei Maria da Penha.

5- Construa uma resposta consistente à pergunta lançada como título do texto. Tome por base a leitura realizada e inclua sua opinião.

TRABALHO EM GRUPO:

Qual o papel da mulher na sociedade brasileira?

Dividir a turma em grupos. Cada grupo pesquisará um dos seguintes itens, que serão sorteados. A pesquisa será apresentada oralmente, e deverá contar um recurso audiovisual. Para cada assunto, trazer a biografia de uma mulher que foi destaque.

Conquistas das mulheres brasileiras:

– Mulher no esporte
– Mulher na cultura (Música)
– Mulher na cultura (Educação)
– Mulher na cultura (Literatura)
– Mulher na cultura (Arte)
– Lei Maria da Penha
– A mulher e o mercado de trabalho
– Evolução da moda feminina
– Direito ao voto e à carreira política

TEXTO 2

Entrevista com Martha Medeiros

Martha Mattos de Medeiros – ou simplesmente Martha Medeiros, como assina seus textos – é uma escritora cheia de sensibilidade e dona de estilo muito próprio. Nascida em Porto Alegre, ganhou reconhecimento graças à capacidade única de interpretar a alma feminina. Por tudo isso, foi uma das convidadas especiais do blog na série de entrevistas que assinalam a Semana da Mulher JB. Confira:

Martha Medeiros.jpg

Blog JB – Como se tornou escritora?
Martha Medeiros – Comecei publicando poemas. Anos depois surgiu a oportunidade de escrever crônicas para jornal e só recentemente me aventurei na ficção. Foi tudo aos pouquinhos, um degrau após o outro.

Blog JB – Como gosta de se vestir?
MM – De forma casual. Mas fico atenta às matérias-primas e aos acessórios.

Blog JB – Modelo de sapato de sua preferência:
MM – No inverno, uso botas no dia a dia e scarpin em eventos mais sofisticados.

Blog JB – Salto alto ou rasteirinha?
MM – Na verdade, prefiro um salto médio. Assim invisto no conforto e ao mesmo tempo mantenho uma certa postura.

Blog JB – Prato preferido:
MM – Risoto de camarão.

Blog JB – Um livro:
MM – Longamente, do francês Erik Orsenna.

Blog JB – Uma mulher que você admira e por quê:
MM – A escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral. É uma mulher madura, bem-humorada e extremamente talentosa. Domina a arte de escrever sobre as relações humanas de forma despretensiosa e muito verdadeira.

Blog JB – Um segredo de beleza:
MM – Manter os cabelos bem tratados e não exagerar na maquiagem.

Blog JB – Para você, o que é sucesso?
MM – É sentir-se plenamente satisfeito com o que faz, independentemente de atuar numa esfera pública ou privada. E essa satisfação precisa se traduzir na vida pessoal.

Blog JB – E o que é ser elegante?
MM – É desprezar tudo o que é over, exagerado. Vale não só pra moda, mas principalmente para as atitudes.

Blog JB – O que você ama fazer?
MM – Viajar.

Disponível em: http://jorgebischoff.com.br/blog/semana-da-mulher-jb-martha-medeiros/

LEITURA DE CRÔNICAS:

Distribuir livros de crônicas de Martha Medeiros ou exemplares do jornal Zero Hora, em que a escritora é colunista, para que os alunos leiam.

TRABALHO INDIVIDUAL:

Entrevistar uma mulher da comunidade. Elaborar as perguntas e mostrar antes à professora.

Tópicos para elaboração das questões:

– Nome, idade e ocupação
– Importância do Dia Internacional da Mulher
– Qualidade de vida
– Igualdade de gêneros
– Realização pessoal/profissional
– Sonhos
– Ídolos

TEXTO 3

Dados nacionais sobre violência contra as mulheres

Apesar de ser um crime e grave violação de direitos humanos, a violência contra as mulheres segue vitimando milhares de brasileiras reiteradamente: 38,72% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 33,86%, a agressão é semanal. Esses dados foram divulgados no Balanço dos atendimentos realizados de janeiro a outubro de 2015 pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

Dos relatos de violência registrados na Central de Atendimento nos dez primeiros meses de 2015, 85,85% corresponderam a situações de violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Em 67,36% dos relatos, as violências foram cometidas por homens com quem as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo: companheiros, cônjuges, namorados ou amantes, ex-companheiros, ex-cônjuges, ex-namorados ou ex-amantes das vítimas. Já em cerca de 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.

Nos dez primeiros meses de 2015, do total de 63.090 denúncias de violência contra a mulher, 31.432 corresponderam a denúncias de violência física (49,82%), 19.182 de violência psicológica (30,40%), 4.627 de violência moral (7,33%), 1.382 de violência patrimonial (2,19%), 3.064 de violência sexual (4,86%), 3.071 de cárcere privado (4,87%) e 332 envolvendo tráfico (0,53%).

Os atendimentos registrados pelo Ligue 180 revelaram que 77,83% das vítimas possuem filhos (as) e que 80,42% desses (as) filhos(as) presenciaram ou sofreram a violência.

Disponível em: http://www.spm.gov.br/central-de-conteudos/publicacoes/publicacoes/2015/balanco180-10meses-1.pdf

TEXTO 4

Gráfico_Violência_Mulher_2015.jpg

TEXTO 5

Relato:

Mariana Miguel Avelino – 25 anos – assistente social

Em abril de 2010, por volta das 6h30 da manhã, sofri uma tentativa de estupro. Eu caminhava até o ponto de ônibus. Do outro lado da calçada, passou um homem me olhando. Falei “bom-dia”, ele não respondeu. Continuei caminhando até sentir um pingo de chuva. Resolvi voltar. Aquele mesmo homem estava novamente no caminho, dessa vez com um capuz na cabeça e a mão no bolso. Quando nos cruzamos, ele me segurou pelo braço, colocou uma garrafa quebrada na minha cintura e disse: “Não quero sua bolsa. Vem comigo, se gritar eu te mato”. Quando percebi que ele me levava para um matagal, comecei a gritar por socorro. Ele só mandava eu calar a boca, aproximava seu corpo do meu, pressionava cada vez mais minha cintura, braço, pescoço e me ameaçava de morte. Desprendi-me dele e saí correndo. Ele me pegou novamente pelo braço, me apertou muito, dizendo que me mataria. Depois de muitos tapas e puxões, consegui me livrar e chegar em casa. Me sentia suja, invadida. Depois, identifiquei o agressor. Fiz um boletim de ocorrência. Talvez por estar acompanhada por meu pai, todos me respeitaram na delegacia. Nunca esquecerei minha primeira consulta com uma psicóloga. Fui vestida com uma calça legging e uma blusa roxa caída no ombro. Depois de contar o ocorrido, ela me perguntou: “Mas você estava vestida assim?”. Me senti culpada. Raspei meu cabelo, achando que poderia ficar feia e chamar menos a atenção. No fim, me senti mais bonita de cabelo raspado. Forte e pronta para a luta.

 Disponível em: http://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/revista-epoca-aborda-violencia-contra-mulher/

QUESTÕES:

1- Além do 8 de março, há outra data importante: 25 de novembro, instituído como o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. Por que é necessário existir uma data para isso?
2- Quais os dois tipos de violência que são mais praticados contra a mulher?
3- Como é possível mudar a realidade da violência?
4- Que atitude as mulheres devem tomar para se defender da violência?
5- Em sua opinião, o comportamento feminino, como a maneira de se vestir, por exemplo, influencia nas tentativas de estupro?

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CONVERSA SOBRE IGUALDADE DE GÊNEROS:

Distribuir aleatoriamente papéis com as seguintes frases populares:

Do homem a praça, da mulher a casa!
Entre marido e mulher não se mete a colher!
Com mulher de bigode nem o diabo pode!
Mulher no volante, perigo constante!
Homem velho e mulher nova: ou corno ou cova!

Outras “máximas” que provocam rivalidade entre os gêneros:

Homem não chora…
Cor rosa é para mulher e azul para homem.

Quem recebe é chamado para ler e opinar. Os ouvintes podem complementar.

O vídeo desta propaganda também pode ser mostrado. A misoginia está totalmente evidenciada.

Enfim, a questão geral é: Como lidar com tantas rotulações que acabam definindo de modo preconceituoso os valores de uma mulher e de um homem, sendo levados à opinião pública?

 

TRABALHO EM GRUPO:

Em grupos, produzir um teatro relacionado ao tema.

REDAÇÃO:

Violência_contra_Mulher

A partir da leitura dos textos e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da Língua Portuguesa sobre o tema: Violência contra a mulher.

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