Feira Literária

Gostaria de dividir aqui um evento ocorrido na escola onde atuo e que foi um verdadeiro sucesso: uma Feira Literária.
A Feira contou com a presença do escritor gaúcho Mário Amaral Teixeira, que desempenha um papel muito significativo de parceria com as instituições de ensino e de incentivo à leitura.
Bem, vamos aos detalhes, então:

 

Planejamento:

A organização geral da 1ª Feira Literária Nicaciana ficou a cargo dos alunos de 9º ano, pois sendo uma escola de Ensino Fundamental, é bom que eles ganhem destaque, já que é o último ano neste colégio. Também é necessário que assumam responsabilidades para irem devidamente preparados para o Ensino Médio.
Liderados por mim, colocaram a mão na massa e o resultado foi maravilhoso!
O segundo passo foi reunir-se com as colegas de Língua Portuguesa. Decidiu-se que a feira seria aberta apenas à comunidade escolar, e que cada turma deveria expor ao menos um trabalho.
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Modelo do convite

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Lembrancinha: miniatura de livro feita em EVA.

 

Execução:

No dia da Feira, o resultado foi este:

Galeria de fotos
Nesta galeria foram expostas fotos tiradas durante a realização das atividades em sala de aula.
Sugestão: Neste caso, usamos uma única legenda superior, mas cada foto pode receber uma legenda criada pelos alunos, assim se prioriza também a produção textual.
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Modelo do painel

 

Tenda Literária

Este foi um dos espaços mais interativos da Feira. O visitante podia construir um poema dadaísta, seguindo a receita de Tristan Tzara, fundador do movimento:
Para fazer um poema dadaísta:
1) Pegue um jornal
2) Pegue a tesoura.
3) Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
4) Recorte o artigo.
5) Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
6) Agite suavemente.
7) Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
8) Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
9) O poema se parecerá com você.
10) E eis um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
O visitante também era convidado a estourar um balão com alfinete. Dentro havia um poeminha, a partir de uma seleção de grandes poetas como Mario Quintana, Drummond, entre outros. Além disso, estávamos recebendo aqui as doações de livros de Literatura.
Lembrando que, para preparar a Tenda Literária, os alunos tiveram aulas sobre o gênero lírico, suas características, análise, bem como um esclarecimento sobre a corrente “Dadaísmo”. Em sala de aula, cada um construiu sua própria poesia dadaísta.
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Tenda Literária

 

Oficina de desenho

Outra forma de interação, que deu espaço aos desenhistas de nossa escola. Convidamos um profissional para monitorar a oficina.
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Oficina de desenho

 

Espaço de música

Muitos talentos foram revelados neste espaço. A proposta era trazer instrumentos musicais e soltar a voz.
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Espaço de música

 

Espaço Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro”

Este ano acontece mais uma edição da Olimpíada de L. P., com o tema “O lugar onde vivo”. Neste espaço, os alunos reuniram fotos e objetos referentes à cidade de Butiá, como a muda de butiá, que deu origem ao nome do município; pedra de carvão, minério que é a principal fonte de renda local, símbolos da escola e da cidade.

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Alguns elementos butiaenses

 

Exposição de trabalhos dos alunos

Todo o turno da manhã expôs seus trabalhos, mas vou relatar aqui aqueles que fiz com minhas turmas (8º e 9º anos).

Turma 82 – Nesta turma, explorei o gênero lírico.

Primeiro, cada um pesquisou uma poesia e a trouxe para ser compartilhada com os colegas. Sentamos em círculo nos colchonetes e ao som de uma música instrumental, cada um ia declamando seu poema.

Depois, foi o momento de aprender mais sobre as peculiaridades do gênero. Dei uma aula teórica, tentando formar com os alunos um conceito de poesia, seguido da análise de cada texto. Para conceituar, foram usados poemas como: “Catar feijão”, de João Cabral de Melo Neto, “Convite”, José Paulo Paes, “Tem tudo a ver”, de Elias José. Em seguida usei diversos poemas que mostrassem os variados assuntos e intenções do eu-lírico. Alguns mais modernos outros clássicos, para mostrar a diferença nas estruturas.

Ampliados os conhecimentos, propus a criação de um poema coletivo. O tema foi a nossa escola, pois completou 60 anos. Para isso, contei aos alunos alguns detalhes da sua história e também sobre a origem de seu nome. Mostrei-lhes a foto de Nicácio Machado, homem que teve extrema importância no início da extração do carvão.

À medida que os versos iam saindo, eu anotava no quadro, e o poema ia tomando forma.

A próxima etapa foi a ilustração do poema. Usei uma dinâmica que consiste em fixar no quadro um painel (pode-se usar cartolinas) e chamar um a um os alunos para que desenhem livremente, com caneta hidrográfica de ponta grossa na cor preta, algo relacionado ao poema. Pedi que preenchessem a maioria dos espaços em branco, então cada aluno foi ao quadro desenhar umas três vezes.

A seguir, retirei o painel e recortei os retângulos previamente traçados no verso e numerados, pois na verdade se tornaria um quebra-cabeças. Embaralhei e entreguei duas partes para cada aluno, orientando que eles deveriam pintar todos os espaços, sem se preocupar em encontrar a outra metade. A pintura foi feita com tinta guache.

Na outra aula, montamos o quebra-cabeças e o resultado foi lindo. Uma mistura de cores que agrada aos olhos de todos e desperta a curiosidade para saber como foi conseguido tal efeito.

Os alunos fizeram ainda, um poema individual, agora com tema livre, para colocarmos no “varal de poesias”.

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Painel ARTE E POESIA: Resultado da produção do poema coletivo em sala de aula

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Painel de ilustração do poema coletivo e varal de poesias

 

Turmas 91 e 92 – Nestas turmas, explorei os gêneros conto e crônica.

O estudo do gênero conto foi introduzido pela leitura do texto “Inspiração”, de Mário Amaral Teixeira. Uma história fantástica, que ainda mistura o gênero fábula! Eu aprecio muito essas mesclas, penso que sempre enriquecem a exploração da obra. Vale a pena a leitura. O texto é parte do livro “Transformação”.

Pedi que pintassem uma tela, fazendo um desenho de algo que mais chamou atenção na história.

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Pinturas em telas, a partir do conto “Inspiração”

Essas turmas ainda realizaram o trabalho que talvez tenha sido o ápice da Feira: a produção de um curta-metragem, a partir da leitura e análise da crônica “Condolências, meu amor!”. Já estavam familiarizados com o gênero, porque desde o início do ano letivo comecei o estudo, pois é justamente uma crônica que deverá ser escrita para as Olimpíadas, conforme a categoria.
O texto, também autoria de Mário Amaral, conta a história de um jovem rapaz chamado Apolinário, que era apaixonado por uma colega de escola. No entanto, a timidez o impedia de se declarar. Um dia, toma coragem, mas ao empregar uma palavra de significado até então desconhecido de seu vocabulário, a fim de impressionar a garota, quase põe tudo a perder.

Mário narra com leveza, e a crônica se encaminha para um tom humorístico até o surpreendente final. Sobretudo, transmite a mensagem do quanto é importante conhecermos as palavras e ampliarmos nosso vocabulário, e de como a leitura contribui para isso.

O grupo se dividiu em elenco e o pessoal de apoio. Todos participaram, sem exceção. Gravamos as cenas na escola e arredores. O vídeo foi uma produção caseira, singela, mas na sua simplicidade, foi possível notar a motivação e impulso criador dos alunos, que mesmo sem ensaios, se revelaram grandes atores. Sem contar a dedicação da equipe de apoio, que cuidou do cenário, do figurino, para que tudo saísse perfeito…
Fiquei super orgulhosa!

 

 

Palestra com o escritor Mário Amaral Teixeira

Encerrando com chave de ouro, Mário Amaral palestrou aos que estavam presentes, muito lisonjeado por ver a sua obra materializada em outra versão.
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Mais alguns momentos da Feira:

Mário Amaral tem viajado a muitos lugares incentivando a leitura. Seus textos encantam! Sempre disposto a um bate-papo, agrega música e histórias em suas palestras. Muito simpático e descontraído, assumiu a postura de um escritor que interage e que deve estar exatamente onde o mundo precisa: nas escolas! Obrigada, escritor “Boa Ação”!

Visite o site e conheça mais sobre a obra de Mário Amaral Teixeira. Vale a pena! http://www.marioamaralteixeira.com.br/

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